Funcionários da Google pedem mais proteção para denunciantes de assédio sexual

Estes trabalhadores alegam que a empresa não toma medidas para manter seguro quem denuncia assédio sexual e pedem que quem assedie seja afastado das vítimas e não tenha cargos de liderança

Cerca de mil trabalhadores da Google assinaram uma carta publicada online nesta sexta-feira para pedir à empresa matriz Alphabet mais proteção para quem denuncia abuso sexual no local de trabalho.

No texto é afirmado que a gigante da tecnologia tem um padrão de proteger ou até mesmo recompensar os responsáveis de assédio sexual, mas que deixa as vítimas sofrerem no local de trabalho.

"A Alphabet não fornece um ambiente seguro para quem é assediado no local de trabalho", diz a carta. "Mesmo quando (o setor de recursos humanos) confirma o assédio, ninguém toma medidas para que quem o denunciou esteja seguro", acrescenta.

Os funcionários exigem que qualquer pessoa que tenha assediado um colega de trabalho sejar excluída dos cargos de liderança e mude de equipa para se distanciar das vítimas.

"Estamos profundamente cientes da importância deste assunto", disse um porta-voz da Google em resposta à AFP. "Trabalhamos para apoiar e proteger as pessoas que nos informam de preocupações, investigamos a fundo todas as denúncias e tomamos medidas firmes contra as acusações fundamentadas", acrescentou.

Numa coluna publicada na sexta-feira no site do The New York Times, a ex-engenheira da Google, Emi Nietfeld, disse que um colega de trabalho que a assediou, ficou sentado no escritório junto a si na empresa, mesmo depois de ter feito a denúncia ao departamento de Recursos Humanos.

A Google tem enfrentado várias críticas nos últimos anos pela forma como responde internamente ao abuso sexual, especialmente se os acusados forem executivos.

Milhares de funcionários da Google uniram-se a uma greve mundial coordenada no final de 2018 para protestar contra a forma como a gigante tecnológica americana gere este problema.

Cerca de 20.000 trabalhadores e contratados da Google participaram no protesto em 50 cidades de todo o mundo, segundo os organizadores.

"Realizamos melhorias significativas no nosso processo geral, incluindo a forma em que lidamos e investigamos as acusações dos empregados e a introdução de novos programas de atenção para os funcionários que informam preocupações", disse o porta-voz da Google.

"Informar uma má conduta requer coragem e continuaremos o nosso trabalho para melhorar nossos processos e fornecer apoio às pessoas que fazem isso", acrescentou.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG