Funcionário de laboratório de Wuhan pode ter sido o primeiro infetado por covid-19

"Uma das hipóteses prováveis é um funcionário ter sido infetado ao extrair amostras. É ali que o vírus passa diretamente do morcego para o homem", apontou o chefe da primeira missão da OMS em Wuhan.

O chefe da primeira missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Wuhan para descobrir a origem da covid-19, o dinamarquês Peter Embarek, declarou num documentário da televisão pública do seu país que é "provável" a hipótese de o virus ter nascido num laboratório.

"Uma das hipóteses prováveis é um funcionário ter sido infetado ao extrair amostras. É ali que o vírus passa diretamente do morcego para o homem", apontou, num documentário exibido esta quinta-feira.

Embarek também denunciou as dificuldades da sua equipa para discutir essa teoria com cientistas chinesas, tendo apenas conseguido consultar alguns documentos.

A teoria de que o vírus nasceu num laboratório foi amplamente promovida pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas o seu sucessor, Joe Biden, também se tem mostrado favorável a essa linha de investigação.

O relatório da primeira missão da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Wuhan, publicado em abril, apontou quatro possíveis origens, ressalvando que a de um acidente de laboratório era a menos provável.

No entanto, a própria OMS passou nas últimas semanas a dar maior destaque àquela possibilidade. A organização pediu "espaço" para continuar a sua investigação após a China ter recusado que a próxima fase da investigação se realize no seu território.

Já esta sexta-feira, a China insistiu ​​​​​​​que a investigação sobre a origem da covid-19 deve ser alargada a outros países, reiterando que a teoria de que o vírus vazou de um laboratório de Wuhan é "extremamente improvável".

"Nenhum país tem o direito de colocar os seus interesses políticos à frente da ciência", apontou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Ma Zhaxou, em conferência de imprensa.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu à China "para que seja transparente e aberta" e forneça "dados brutos sobre os primeiros dias da pandemia".

Pequim negou repetidamente que tenha retido informações ou limitado o trabalho dos cientistas da OMS que viajaram para Wuhan.

O chefe da equipa de especialistas chineses que investigaram a origem do novo coronavírus, Liang Wannian, indicou que a "próxima fase das investigações deve ser realizada em outros países".

Liang apontou a teoria de que o vírus pode ter chegado ao mercado Huanan, em Wuhan, onde o primeiro surto de covid-19 foi detetado, "através de alimentos congelados importados".

A imprensa oficial chinesa lançou uma ofensiva em grande escala, esta semana, a relacionar outros países com a origem da covid-19, incluindo Espanha, Itália, França ou Estados Unidos.

"Se não quisermos abandonar essa teoria do laboratório, devemos também investigar outros centros, como [o laboratório do exército norte-americano] Fort Detrick, mas acreditamos que o relatório da OMS, que considera uma fuga altamente improvável, deve ser respeitado", disse Ma.

A imprensa chinesa chegou a citar um biólogo suíço chamado Wilson Edwards, que denunciou a politização da pandemia contra a China, mas que a embaixada Suíça na China disse não existir.

As notícias da imprensa estatal chinesa citaram a conta de Edwards na rede social Facebook, entretanto excluída, na qual o biólogo inexistente criticou os EUA e a OMS por pressionarem a China a permitir uma investigação mais aprofundada ao laboratório em Wuhan.

As críticas de Ma e a ofensiva da imprensa estatal surgem quase três meses depois de o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ter ordenado que os serviços de inteligência do país investiguem a origem da pandemia, depois de garantir que vários investigadores do Instituto de Virologia de Wuhan adoeceram em novembro de 2019.

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