França negoceia com talibãs em Doha para a retirada de civis do país

O porta-voz do Governo francês, Gabriel Attal, admite conversações com os talibãs para retirar mais pessoas do Afeganistão.

A França quer negociar com os talibãs em Doha, com a mediação do Catar, para retirar mais pessoas do Afeganistão, explicou esta quinta-feira o porta-voz do Governo francês.

"É claro que estamos a conversar com os talibãs, principalmente em Doha", disse Gabriel Attal numa entrevista à rádio France Info, indicando que outros países estão em conversações com o grupo extremista.

O porta-voz insistiu que as discussões ocorrem num contexto em que há pessoas que o governo francês quer retirar e proteger, no Afeganistão.

De acordo com o porta-voz do executivo do Presidente francês, Emmanuel Macron, esta negociação "não significa que haverá reconhecimento [diplomático] futuro" e nem que se vá dar "o benefício da dúvida" em relação às atitudes do grupo extremista.

Além dos contactos bilaterais, Attal lembrou que a França está a integrar uma ação internacional, uma resolução que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou na terça-feira.

A resolução aprovada pelo ONU modificou a proposta apresentada por franceses e britânicos - que previa a criação de uma zona segura no aeroporto civil de Cabul sob o controlo da ONU e que permitiria a continuação das retiradas -, já que o texto final se limita a insistir que os talibãs deverão permitir a saída do país para as pessoas que assim o desejarem.

Os talibãs conquistaram Cabul em 15 de agosto, concluindo uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital pôs fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e aliados na NATO, incluindo Portugal.

Entre 15 e 31 de agosto, mais de 120.000 pessoas deixaram o país a bordo de aviões de países ocidentais.

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