França. Ministro da saúde ameaça médicos e enfermeiros com vacinação obrigatória

Apenas 30% dos enfermeiros e médicos franceses quiseram ser vacinados. Ministro da Saúde da França faz apelo e diz que é um mau exemplo para os cidadãos e ameaça com obrigatoriedade da vacinação.

O ministro da Saúde francês, Olivier Véran, escreveu uma carta aberta aos profissionais de saúde do país, depois da grande maioria destes não ter querido ser vacinado contra a covid-19. "Hoje, quase 40% dos profissionais de saúde em lares de idosos e 30% do pessoal hospitalar estão vacinados. Isso não é suficiente, pois o stock da vacina AstraZeneca ainda está disponível na maioria das unidades [de saúde]. (...) Peço-vos por vocês, pelos vossos entes queridos, e pelos franceses... se ainda não foi vacinado, faça-o rapidamente. A nossa segurança coletiva está em jogo", escreveu o ministro.

A carta aberta de Olivier Véran representa uma nova polémica na campanha de vacinação que está a decorrer em França, onde os médicos e enfermeiras continuam relutantes em ser vacinados.

A 27 de dezembro de 2020, quando a primeira francesa recebeu a primeira dose da Pfizer, o governo francês ainda parecia temer o ceticismo dos franceses e preocupava-se em mostrar compreensão e cautela. Na altura, a fórmula adotada era "sem precipitação", e os candidatos à vacina - os primeiros foram os residentes em lares - foram informados dos benefícios mas também dos possíveis efeitos colaterais. Foram-lhes dados cinco dias para decidirem se queriam ou não receber a vacina e só depois eram novamente questionados sobre a sua administração.

Esta prudência e dificuldades logísticas conduziram a França aos últimos lugares no ranking europeu de vacinações, gerando críticas ao governo e ao presidente Macron, até mesmo por parte de muitos que, poucas semanas antes, manifestavam dúvidas sobre as vacinas desenvolvidas em tão pouco espaço de tempo.

Mas esse tempo de cautelas passou, sobretudo com o surgimento de novas variantes da covid-19. Agora, o governo francês aposta tudo na vacinação para evitar um novo confinamento - que seria o terceiro após os da primavera de 2020 e de novembro. "Temos um mês e meio pela frente, dois meses muito delicados devido às variantes, por isso devemos fazer de tudo para vacinar o máximo possível", diz o primeiro-ministro Jean Castex.

Surpreendentemente, os mais relutantes são os médicos e enfermeiras dos hospitais. "Entre o pessoal de saúde (médicos e enfermeiras), apenas um em cada três está vacinado. Não é normal ", disse o primeiro-ministro francês, na última quinta-feira, durante a conferência de imprensa semanal. "O tempo das reticências já passou", acrescentou o ministro da Saúde, que não descarta a necessidade de vacinação obrigatória para médicos e enfermeiros.

Olivier Véran está pronto para apelar ao Conselho Nacional de Ética, um primeiro passo no caminho para uma vacina obrigatória, o que seria uma escolha sem precedentes num país onde antes mesmo da pandemia prevalecia a ideia de liberdade de escolha.

Vacina da AstraZeneca no centro da polémica

Thierry Amouroux, porta-voz do sindicato nacional dos enfermeiros, rebate as acusações do ministro e diz que não é verdade que os profissionais de saúde não queriam vacinar-se. Apenas não o querem fazer com a vacina da AstraZeneca.

"O método de transformar o pessoal médico em bode expiatório é ignóbil , serve apenas para mascarar a incompetência do governo no combate à epidemia e na gestão da campanha de vacinação", disse o sindicalista. "Não é verdade que nos recusemos a tomar a vacina", acrescentou à rádio Europa 1. "No entanto, não queremos a vacina AstraZeneca porque a consideramos inadequada. Estamos muito expostos e precisamos de uma vacina mais eficaz do que a AstraZeneca".

"As reservas iniciais não se justificam mais, é uma vacina muito eficaz ", respondeu já o primeiro-ministro Jean Castex. Em França, como em vários outros países, inicialmente a vacina da AstraZeneca foi recomendada apenas para menores de 65 anos, mas desde 1 de março que já é recomendada a todas as faixas etárias.

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