Fábrica que produz vacina da AstraZeneca alvo de inspeção

Objetivo é investigar se há mesmo atrasos na produção. Comissão Europeia avança com mecanismo para impedir que vacinas saiam da UE

A pedido da Comissão Europeia, autoridades de saúde belgas inspecionaram uma fábrica situada em Seneffe que produz a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca. "Estamos agora a examinar documentos e dados", disse Ann Eeckhout, da Agência Federal de Medicamentos e Produtos de Saúde da Bélgica, à AFP.

A fábrica está no centro do braço-de-ferro entre a Comissão Europeia e a AstraZeneca devido a o fornecimento de milhões de doses da vacina aos governos da União Europeia ter sofrido um atraso, o que nas palavras da comissária da Saúde, Stella Kyriakides, é "inaceitável". Bruxelas exigiu transparência sobre as exportações para fora da UE e nesta quinta-feira soube-se que se prepara um sistema de controlo à exportação de vacinas, fornecendo aos Estados membros a oportunidade de vetar remessas para fora do bloco se não forem "legítimos".

O grupo farmacêutico anglo-sueco afirmou que o novo calendário se deve a problemas de produção. As entregas aos 27 países deveriam iniciar-se assim que a aprovação fosse concedida para utilização na UE pela Agência Europeia de Medicamentos, que poderá acontecer nesta sexta-feira. Esta quinta-feira, a Alemanha desaconselhou a vacina a maiores de 65 anos.

A unidade de Seneffe produz vacinas sob licença para a AstraZeneca. É operada pela empresa americana ThermoFisher, que assumiu o controlo após a sua aquisição ao antigo proprietário francês NovaSep, a 15 de janeiro.

Apesar do atraso na entrega na UE, a AstraZeneca continuou a abastecer o governo britânico ao abrigo de um outro contrato, ao mesmo tempo que avisava que os atrasos na Europa se deviam a "falhas" nas suas fábricas da UE.

Bruxelas contrapõe que o seu contrato com a AstraZeneca previa que as fábricas britânicas fariam parte da cadeia de fornecimento europeia e insiste no respeito pelos volumes de entrega acordados. Um porta-voz da Comissão Europeia disse à AFP que "os resultados da inspeção serão analisados com peritos de outros Estados membros e serão partilhados com a Comissão Europeia".

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