Evacuações e desespero enquanto os incêndios devastam ilha grega de Evia

"Temos pela frente outra noite difícil, muito difícil", lamentou o vice-ministro grego da Proteção Civil, Nikos Hardalias.

Os bombeiros e moradores desesperados enfrentaram este domingo mais um dia de violentos incêndios florestais na ilha de Evia, na Grécia, que queimaram vastas áreas de floresta e forçaram centenas de pessoas a fugir de suas casas, enquanto a ilha se via dividida ao meio por dois grandes fogos.

"Em Evia, temos duas grandes frentes de incêndio, uma no norte e outra no sul", disse Hardalias, acrescentando que os fortes ventos estão a empurrar a frente de incêndio do norte em direção às vilas de praia.

Grécia e Turquia lutam contra incêndios devastadores há quase duas semanas, com aquela região mediterrânica a sofrer a sua pior onda de calor em décadas, o que os especialistas relacionam com o fenómeno das alterações climáticas. Até agora, os incêndios mataram duas pessoas na Grécia e oito na vizinha Turquia, com dezenas de outras hospitalizadas.

Embora a chuva tenha trazido algum alívio às chamas na Turquia no fim de semana, a Grécia continua a suportar altas temperaturas. Ao todo, 17 aeronaves de combate a incêndios - aviões e helicópteros - estavam este domingo a combater os incêndios em Evia, disse Hardalis.

Evia é uma ilha que fica a nordeste da capital Atenas. A sudoeste fica a região do Peloponeso, onde, segundo o governante, a situação é mais estável. Também os incêndios num subúrbio a norte de Atenas diminuíram, acrescentou. "A situação na Ática (que abrange Atenas) é melhor, mas temos medo do perigo de surtos", disse Hardalias.

Entretanto, as equipas de resgate tiveram de enviar um helicóptero para transportar por via aérea um bombeiro ferido no fogo do Monte Parnitha, ao norte de Atenas.

Pesadelo dos bombeiros

A paisagem acidentada e as densas florestas de pinheiros na ilha de Evia, que tanto atraem os turistas, transformaram-se num pesadelo para os bombeiros. O inferno na segunda maior ilha da Grécia transformou milhares de hectares em cinzas e destruiu casas.

As autoridades continuaram a evacuar residentes da ilha, com mais 349 pessoas levadas para um local seguro na manhã de domingo, pela Guarda Costeira grega. Na praia de Pefki, os jovens sofriam na areia, usando cadeiras para transportar principalmente pessoas idosas e deficientes para embarcações.

Cerca de 260 bombeiros gregos com 66 veículos lutavam este domingo contra os incêndios em Evia, ajudados por mais 200 da Ucrânia e da Roménia, com 23 veículos e o apoio aéreo. O calor dos incêndios na ilha foi tão intenso que "a água das mangueiras e da aeronave evaporava rápido" antes de chegar às chamas, disse um oficial do corpo de bombeiros ao jornal Eleftheros Typos.

Estado ausente

As autoridades locais criticaram a falta de meios para combater os incêndios, que eclodiram na ilha em 3 de agosto. "Não tenho mais voz para pedir mais aeronaves. Não suporto essa situação", disse Giorgos Tsapourniotis, autarca de Mantoudi, na ilha de Evia, à Skai TV.

"Muitas aldeias só foram salvas porque os jovens ignoraram as ordens de evacuação e permaneceram para manter o fogo longe das suas casas", acrescentou.

"Estamos nas mãos de Deus", disse à reportagem da AFP o jovem Yannis Selimis de Gouves, de 26 anos, residente no norte da ilha. "O Estado está ausente. Se as pessoas saírem, as aldeias vão queimar com certeza", acrescentou.

"Nos próximos 40 anos não teremos emprego e no inverno vamos afogar-nos com as cheias, sem as florestas que nos protegiam", acrescentou.

Em resposta às críticas, neste domingo, o vice-ministro Hardalias argumentou que o fumo transportado pelo vento prejudicou a visibilidade para aeronaves de combate a incêndios.

Mas Alexis Tsipras, líder do principal partido de oposição Syriza, criticou a resposta do governo.
"O norte de Evia está a queimar pelo sexto dia consecutivo. A administração local e os residentes estão a gritar que estão desesperadamente sozinhos, não há forças adequadas em terra ou no ar e o único cuidado é com as evacuações."

"Existe um plano de ação? QUANTO TEMPO esse drama vai se arrastar?" escreveu Tsipras no Twitter.

Entretanto, as autoridades locais continuavam este domingo a lutar para abrigar as pessoas forçadas a fugir de suas casas. No sábado, foi acionado um abrigo provisório para 2.000 pessoas evacuadas da ilha.

Só nos 10 dias anteriores, 56.655 hectares (140.000 acres) foram queimados na Grécia, de acordo com o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais. O número médio de hectares queimados no mesmo período entre 2008 e 2020 foi de 1.700 hectares.

Grã-Bretanha, França, Espanha e outros países responderam ao apelo de ajuda da Grécia e, no domingo, a Sérvia anunciou que enviará 13 veículos com 37 bombeiros e três helicópteros.

Entretanto, a polícia disse no domingo que prendeu 10 pessoas por incêndio criminoso, entre elas três jovens em Pireu, com idades entre 16 e 21 anos, por tentarem iniciar um incêndio nas proximidades de Perama.

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