Europa deixa cair as máscaras apesar do avanço da variante Delta

Espanha seguiu o exemplo de França e deixou de obrigar ao uso de máscara nos espaços exteriores, sendo a Itália o país que se segue. Mas autoridades alertam que variante vai representar 90% dos novos casos na Europa em finais de agosto.

O uso de máscaras no exterior deixou de ser obrigatório em Espanha a partir deste sábado e nos Países Baixos não é preciso usá-la dentro de lojas. Isto apesar das preocupações crescentes com a variante Delta da covid-19, que é mais contagiosa do que qualquer outra identificada até agora.

Segundo o Centro Europeu de Controlo de Doenças, em finais de agosto esta variante será responsável por 90% de todas as infeções na Europa -- já é assim no Reino Unido.

Em Espanha, as máscaras tornaram-se obrigatórias nos transportes públicos no início de maio de 2020 e, semanas depois, acabaram por ser obrigatórias também nas ruas para os maiores de seis anos.

Agora, o seu uso não é requerido nos espaços exteriores, desde que seja possível manter a distância de segurança de 1,5 metros -- apesar de muitos optarem por continuar a usá-la. Dados oficiais dizem que variante Delta representa só 1% dos casos, mas especialistas alegam que é mais.

Nos Países Baixos, as máscaras já não vão ser obrigatórias em lojas ou outros locais com muita gente, mas ainda têm que ser usadas nos transportes públicos e escolas secundárias. E muitas discotecas reabriram logo à meia noite, para aqueles que apresentem um teste negativo ou tenham sido vacinados.

Em Itália, o uso de máscaras no exterior deixará de ser obrigatório a partir de segunda-feira, quando todo o país vai também ficar no nível mais baixo de risco -- só Valle d'Osta estava ainda no nível amarelo -- e forem levantadas as restrições do recolher obrigatório. A Itália registou 838 novas infeções de covid-19 e 40 mortes nas últimas 24 horas.

O ministro da Saúde, Roberto Speranza, disse que o país mantém "o alerta máximo em todas as variantes" e "está a investir o máximo possível para sequenciar e rastreá-las", assegurando que "irá continuar a fazê-lo".

Em França, as máscaras já não são obrigatórias desde o dia 17 deste mês, tendo a decisão sido antecipada (inicialmente estava só previsto para o final do mês). A variante Delta representa cerca de 10% dos novos casos (mas era de apenas 2 a 4% na semana anterior).

Na Alemanha, as regras dependem de estado para estado, havendo alguns que até já estão a estudar acabar com o seu uso nas escolas em zonas onde a incidência da covid-19 seja baixa. No maior estado, a Baviera, o uso de máscara no centro da cidade de Munique já não é obrigatório desde 9 de junho. Também Berlim as máscaras também já não são obrigatórias nas ruas comerciais mais movimentadas.

No Reino Unido, o uso de máscara não é obrigatório ao ar livre desde 22 de abril. Mas é neste país onde a variante Delta mais está espalhada, com os números de contágios a subir há várias semanas. Este sábado foram contabilizados mais 18 270 novos casos, o número mais elevado desde 5 de fevereiro, além de 23 mortes. Ontem tinham sido registados 15 810 novos casos. 83,7% dos adultos já levaram pelo menos uma dose da vacina, com 61,2% totalmente vacinados.

Em países como Polónia ou Hungria também não é obrigatório usar máscara.

Na Suíça foram levantadas a maioria das restrições que ainda existiam, depois de o ministro da Saúde Alain Berset dizer que o uso das vacinas da Pfizer-BioNTech e Moderna garante a proteção suficiente contra a variante Delta.

Mas Israel, que já vacinou 60% da população, tem assistido ao aumento do número de casos desde que acabou com a obrigatoriedade do uso de máscaras nos espaços públicos fechados, há dez dias. E após quatro dias com mais de cem novas infeções por dia, o governo reverteu essa decisão.

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