Erupção do vulcão Nyiragongo põe população em alerta na RD Congo

Cinco pessoas mortas em acidentes durante a evacuação das pessoas da cidade de Goma. A população já começou a regressar a casa, mas teme nova erupção de um vulcão que provocou a morte a 100 pessoas em 2002.

O vulcão Nyiragongo, perto da cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), entrou este sábado em erupção e está a deixar as autoridades locais em alerta.

O fluxo de lava que desceu dos flancos do vulcão parou este domingo nos subúrbios da cidade de Goma, onde os moradores continuam preocupados com a possibilidade de nova erupção.

Fogo e vapores fortes emanam da frente de lava solidificada, enegrecida e ainda instável. Várias habitações foram engolidas pela lava, semelhante a uma enorme pastilha elástica, devastando tudo à sua passagem. Pilhas de ferro dobradas pelo calor da fornalha são visíveis por entre a rocha fundida em vários locais.

A lava parou de avançar a algumas centenas de metros do aeroporto de Goma, onde os aviões foram retirados durante a noite e todos os voos do dia foram cancelados, segundo uma fonte aeroportuária.

Uma dezena de pequenos sismos foi sentida desde o amanhecer. "As autoridades locais que acompanharam a evolução da erupção do vulcão durante toda a noite assinalaram que a corrente de lava perdeu intensidade, com algumas réplicas sísmicas", disse na rede social Twitter o ministro da Comunicação e porta-voz do governo, Patrick Muyaya. "A avaliação da situação humanitária está em curso, outras comunicações serão feitas durante o dia", acrescentou.

O vulcão Nyiragongo, cujas majestosas encostas escuras dominam a paisagem de Goma e do lago Kivu, entrou no sábado em erupção, apanhando todos de surpresa, incluindo as autoridades, forçadas a ordenar pouco depois a evacuação da cidade. A súbita atividade vulcânica provocou o pânico na população, conhecedora da fúria do vulcão. "O céu ficou vermelho", contou uma habitante, temendo "as chamas gigantes saídas da montanha", enquanto os odores de enxofre se espalhavam pela cidade.

Dezenas de milhares de pessoas dirigiram-se ao posto fronteiriço com o Ruanda, próximo de Goma, e para o sudoeste da cidade, em direção à região de Masisi.

No Ruanda, o acolhimento de milhares de pessoas decorreu com calma, organizado pelas autoridades. "Atualmente os cidadãos da RD Congo que encontraram refúgio no Ruanda depois da erupção do Nyiragongo continuam a regressar ao seu país", afirmou hoje de manhã no Twitter a Rwanda Broadcasting Agency (RBA), que difunde a televisão pública.

A anterior grande erupção do Nyiragongo remonta a 17 de janeiro de 2002 e causou a morte a mais de 100 pessoas, cobrindo de lava quase toda a parte este de Goma, incluindo metade da pista do aeroporto.

"A cidade de Goma foi poupada"

A cidade de Gom foi "poupada" pela lava do vulcão Nyiragongo disse este domingo de manhã o governador militar da região. "A lava parou em direção a Buhene, na periferia de Goma, a cidade foi poupada", declarou o general Constant Ndima, que avançou com um balanço provisório de cinco pessoas mortas" em acidentes durante a fuga da população.

"O balanço provisório é o seguinte: cinco pessoas mortas em acidentes durante a deslocação da população", anunciou o general Ndima, que dirige a província de Kivu do Norte, desde proclamação do estado de sítio na região, a 6 de maio, para lutar contra os grupos armados. "Vários furtos em lojas e uma tentativa de evasão de presos", na prisão da cidade, foram registados, mas "a situação está controlada", assegurou.

Na periferia da cidade, em Buhene, "casas foram atingidas pela lava", precisou o general, sem facultar um balanço sobre o número de destruições. "Mais de 7000 pessoas atravessaram a fronteira com o Ruanda. Começaram a regressar à cidade esta manhã às 5:00 horas" locais, acrescentou.

As populações que fugiram para sudoeste, em direção a Saké, na região de Masisi, "começaram também a regressar ao centro da cidade", segundo o oficial.

"Uma grande reunião de crise, alargada à Monusco (missão da ONU no país), às ONG internacionais e nacionais, ao comité provincial de segurança e à Marinha" realiza-se hoje para "avaliar a situação", indicou.

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