Eric Adams, o ex-polícia que venceu primárias democratas e é favorito à câmara de Nova Iorque

Um novo método de votação por preferências complicou a contagem dos votos da eleição de 22 de junho. Adversário republicano é Curtis Sliwa, líder de organização anticrime.

Duas semanas depois das primárias e de uma contagem de votos caótica, os democratas de Nova Iorque ficaram ontem a conhecer quem será o seu candidato às eleições para a câmara da cidade, a 2 de novembro. O escolhido é Eric Adams, antigo capitão da polícia afro-americano, de 60 anos, que já foi senador estadual e é desde 2013 autarca de Brooklyn. É o favorito à vitória face ao adversário republicano, Curtis Sliwa, de 67 anos, radialista fundador e líder dos Guardian Angels (Anjos da Guarda), uma organização sem fins lucrativos dedicada à prevenção de crimes.

"Apesar de ainda haver pequenas quantidades de votos para contar, os resultados são claros: uma coligação de cinco bairros, histórica, diversa, liderada por nova-iorquinos da classe trabalhadora levou-nos à vitória nas primárias democratas para mayor de Nova Iorque", disse Adams num comunicado. Os resultados oficiais só devem ser conhecidos em meados do mês, mas as projeções apontavam nesta quarta-feira para a vitória de Adams, que estava cerca de oito mil votos à frente de outra moderada, Kathryn Garcia, antiga comissária de saneamento.

Estas primárias foram as primeiras em que foi usado um novo método de votação. Em vez de escolherem só um entre os 13 candidatos, os eleitores foram chamados a enumerar as suas cinco preferências, por ordem. O método, que evita a necessidade de segundas voltas, prevê que os votos dos candidatos menos votados sejam distribuídos pelos candidatos indicados como segunda preferência e assim sucessivamente.

Adams foi dado como o vencedor na contagem das primeiras preferências, mas era preciso contar os votos por correio, que chegaram mais tarde. No meio do caos, as autoridades eleitorais foram obrigadas a recuar numa das contagens parciais que revelaram, onde os outros candidatos pareciam aproximar-se de Adams, admitindo que tinham por erro incluído cerca de 135 mil votos de teste, que não eram válidos.

Mayor desde 2014, Bill de Blasio estava impedido de se candidatar a um terceiro mandato neste reduto democrata (Rudy Giuliani e Michael Bloomberg foram exceções). Cerca de 86% dos eleitores ali residentes estão registados neste partido, pelo que Adams é o favorito a ganhar em novembro. O cargo é por vezes considerado o segundo mais difícil dos EUA, depois do de presidente, e terá o desafio acrescido de liderar a cidade no pós-pandemia de covid-19.

Adams, que foi republicano entre 1997 e 2001, prometeu encontrar o equilíbrio entre o combate ao crime e o fim da injustiça racial nas forças de segurança. Polícia durante mais de duas décadas, foi ele próprio alvo de violência policial quando tinha 15 anos. Tal como o adversário republicano, é contra a ideia de cortar no financiamento policial.

Em novembro, enfrentará Curtis Sliwa, que fundou uma organização dedicada à prevenção de crimes. Nascidos no final da década de 1970, os Guardian Angels - conhecidos pelas suas boinas e casacos vermelhos - fazem patrulhas nos transportes públicos e nos vários bairros de Nova Iorque, tendo o conceito sido alargado a 130 cidades de todo o mundo. Apesar de ser republicano, Sliwa não apoiou o ex-presidente Donald Trump, e além de parar o crime promete dar resposta ao problema dos sem abrigo da cidade e proibir o abate de animais nos canis e gatis.

susana.f.salvador@dn.pt

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