Empresas cortam doações aos congressistas que votaram contra Biden

Algumas das maiores empresas norte-americanas estão a cortar ou suspender o financiamento aos congressistas que votaram contra a certificação dos votos do Colégio Eleitoral no candidato vencedor, Joe Biden.

As consequências da invasão ao Capitólio, na quarta-feira passada, continuam a fazer-se sentir. Agora algumas das maiores empresas norte-americanas planeiam cortar as doações políticas aos 147 membros do Congresso que na semana passada votaram contra a certificação dos resultados das eleições presidenciais. Outras grandes empresas anunciaram que estão a suspender todas as contribuições dos seus comités de ação política.

A cadeia de hotéis Marriott International, a rede de seguros de saúde Blue Cross Blue Shield e a sociedade de gestão bancária Commerce Bancshares foram os primeiros a suspender indefinidamente as doações aos membros do Congresso, ao que se seguiram os bancos JP Morgan Chase e Citibank. Na segunda-feira, seguiram-se as empresas de cartões de crédito American Express e Mastercard, o gigante da distribuição Amazon, a empresa de aluguer de imóveis online AirBnB, as companhias de telecomunicações Verizon, AT&T e Comcast, e a empresa de produtos químicos Dow.

Já outras grandes empresas, como as tecnológicas Microsoft, Google e Facebook, a Coca-Cola, a empresa de aviação American Airlines, a cadeia hoteleira Hilton, a empresa de equipamentos médicos Boston Scientific, os bancos de investimento Blackrock e Goldman Sachs, a empresa de retalho e de TV Hallmark decidiram suspender as doações quer ao Partido Republicano quer ao Partido Democrata e vão rever as suas políticas de financiamento. Esta última empresa, que cresceu no comércio de cartões de felicitações, pediu inclusive que os senadores Josh Hawley e Roger Marshall para devolverem o dinheiro entretanto recebido.

"A Hallmark acredita que a transição pacífica do poder faz parte dos alicerces do nosso sistema democrático, e abominamos qualquer tipo de violência", disse o relações públicas da empresa do Kansas. "As recentes ações dos senadores Josh Hawley e Roger Marshall não refletem os valores da nossa empresa."

Se os valores doados por esta empresa a estes senadores em específico não ultrapassam os 12 mil dólares nos últimos dois anos, há milhões em jogo. Por exemplo, os comités de ação política do Facebook, Google e Microsoft financiaram políticos em 4,2 milhões de dólares nos últimos dois anos.

Campanha de pressão na TV

Segundo um dos fundadores do grupo anti-Trump Lincoln Project, Steve Schmidt, foram gastos 80 a 90 milhões de dólares pelas empresas em comités políticos, "em grupos extremistas que desestabilizaram a democracia americana", disse Schmidt. "Depois deste ponto, nada volta ao normal", comentou ao The Washington Post.

O Lincoln Project vai acentuar a pressão, ao lançar nos próximos dias uma campanha publicitária na TV dirigida às empresas que apoiam os republicanos que votaram contra a certificação dos resultados das eleições. O objetivo é forçar as empresas a cessar as doações aos republicanos.

A campanha também é dirigida aos trabalhadores daquelas empresas para "desestabilizar as operações das empresas" ao incitar à "rebelião dos trabalhadores", disse Steve Schmidt.

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