Educação para todas, ordenaria a presidente global Nancy Pelosi

Ao aceitar distinção da NATO em Lisboa, a líder da Câmara dos Representantes dos EUA sublinhou a importância das mulheres em cargos de chefia e no combate à corrupção.

A primeira edição do Prémio Mulheres pela Paz e Segurança, atribuído pela Assembleia Parlamentar da NATO, foi ontem entregue à presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, em Lisboa, numa sessão que contou com discursos das três mais altas figuras do Estado e do secretário-geral da Aliança Atlântica. Numa altura em que os congressistas norte-americanos se digladiam pela aprovação de duas leis, as quais contribuirão para a definição do seu legado, a democrata, de 81 anos, não esqueceu as mulheres afegãs e o papel das mulheres em geral no combate à corrupção.

Nancy Pelosi, que dois dias antes foi recebida por Francisco no Vaticano, disse que "a educação das mulheres e das raparigas" seria a sua prioridade se tivesse poderes globais. "Faria a maior diferença não só nas suas vidas, nas suas famílias, nas suas comunidades, mas no mundo. Porque acreditamos verdadeiramente que, quando as mulheres são bem-sucedidas, os Estados Unidos são bem-sucedidos, ou qualquer país é bem-sucedido. Globalmente todos nós somos bem-sucedidos. E é por isso que me sinto de facto especialmente honrada por receber este prémio", declarou.

A distinção foi criada há meses para comemorar os 20 anos da resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Aprovada por unanimidade, esta reconhece as consequências desproporcionais dos conflitos armados sobre as mulheres e visava aumentar o nível de participação do sexo feminino em todos os níveis de tomada de decisão.

Mas para Pelosi isso só não chega. "Não se trata aqui de mera representação. Trata-se de liderança. Eu também penso que quando estamos a combater a corrupção, as mulheres são grandes campeãs, onde quer que ela exista. E lutar contra a corrupção é reforçar a democracia", afirmou.

Antes de mostrar um anel feito e oferecido por afegãs, recordou-as: "As vozes das mulheres são necessárias; bom, são sempre necessárias, mas neste momento, quando falamos do Afeganistão, está muito presente nos nossos corações e nas nossas mentes (...) Não podemos nunca esquecê-las." E lembrou uma das "muitas viagens" que fez àquele país asiático nos últimos anos, na qual se deslocou para uma zona tão remota que pensou a dado momento que teria de montar um burro. Ao encontrar-se com uma delegação de mulheres, estas diziam: "Querem que enviemos as nossas filhas para a escola, e nós queremos fazer isso. Querem que elas tirem partido dos centros de saúde. Queremos que elas vão, mas não podemos deixá-las sair de casa enquanto não tivermos segurança. E nós não podemos ter segurança até acabarmos com a corrupção no nosso país."

Recordou que aquelas mulheres não tiveram qualquer educação formal, mas "compreenderam a ligação entre a liberdade e o fim da corrupção". Pelosi, que luta pela aprovação de duas leis que marcariam o mandato de Biden (lei das infraestruturas e lei de políticas sociais que englobam investimentos na ordem de 3,5 biliões de dólares) enquanto os comentadores especulam sobre a hipótese de se reformar no próximo ano, recebeu do republicano Newt Gingrich, seu antecessor no cargo, um insuspeito elogio, ao dizer que Pelosi será a "speaker mais forte da história".

Sem surpresa, da representante pela Califórnia desde 1987 não se ouviu qualquer crítica à forma como a Aliança Atlântica saiu do Afeganistão, depois de Joe Biden ter decidido a retirada dos EUA, ao contrário do chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, que viu "diálogo insuficiente" entre aliados na "queda embaraçosa, para dizer o mínimo, do Afeganistão".

cesar.avo@dn.pt

Mais Notícias

Outras Notícias GMG