"Diplomacia de reféns". Executiva da Huawei libertada em troca de dois canadianos

Meng Wanzhou, filha do CEO da gigante de telecomunicações, estava em prisão domiciliária no Canadá, depois de ter sido detida a pedido dos EUA e acusada de fraude. Já voltou para a China, que por sua vez libertou dois canadianos que tinham sido condenados por espionagem.

A diretora financeira da gigante chinesa Huawei, Meng Wanzhou, voltou neste sábado para a China, depois de ter sido libertada da prisão domiciliária no Canadá no âmbito de um acordo com os EUA. Paralelamente, dois canadianos condenados por espionagem por Pequim foram libertados, encerrando um conflito diplomático e judicial que já durava há três anos.

Num caso da chamada "diplomacia de reféns", o ex-diplomata canadiano Michael Kovrig e o empresário Michael Spavor tinham sido detidos pouco depois da prisão de Meng. Agora foram os três libertados quase ao mesmo tempo.

Um terceiro canadiano, Robert Schellenberg, viu a sua pena por tráfico de droga agravada de 15 anos para a pena de morte depois da detenção da executiva chinesa (uma pena confirmada em agosto).

Nestes três anos, "a minha vida transformou-se", disse Meng, que é filha do fundador da gigante das telecomunicações Ren Zhengfei.

A executiva da Huawei, que os EUA acusavam de fraude bancária e cuja extradição pediam ao Canadá, já chegou à China. Ainda no avião, publicou uma mensagem nas redes sociais a agradever "ao partido e ao governo" chineses.

Entretanto, o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, anunciou a libertação dos dois cidadãos canadianos que estavam detidos desde o final de 2018, num caso que sempre foi considerado como de retaliação pela detenção de Meng.

Spavor foi condenado em agosto a 11 anos de prisão por espionagem e roubo de segredos de Estado. O empresário e o ex-diplomata aterraram este sábado em Calgary, no oeste do Canadá, tendo sido recebidos por Trudeau.

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, elogiou a decisão das autoridades chinesas de libertar os dois canadianos, considerando que s sua prisão foi "arbitrária".

A China, por sua vez, sempre considerou o caso Meng como "um incidente puramente político". Uma porta-voz do governo chinês, Hua Chunying, disse hoje que as acusações contra Wanzhou eram "totalmente infundadas".

O regresso de Meng à China foi o resultado de um acordo entre o Departamento de Justiça e a gigante chinesa para evitar acusações de fraude por crimes graves.

O governo dos EUA propôs "adiar" o processo contra a empresária até o final de 2022. Se antes de 1 de dezembro o pacto não for impugnado ou rompido, as autoridades dos EUA retirarão todas as acusações.

Além disso, o acordo previa que os EUA iriam retirar o processo de extradição e aconselhariam o Canadá a soltar Meng.

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