Debaixo de fogo em Washington, Trump vai visitar o muro com o México

Câmara dos Representantes prepara um novo processo de impeachment e há mais republicanos a defender a demissão do presidente, que na terça-feira viaja até Alamo, no Texas, para assinalar "uma promessa cumprida".

Eleito em 2016 com a promessa de construir um muro na fronteira com o México (e obrigar os mexicanos a pagá-lo), o presidente norte-americano, Donald Trump, viaja esta terça-feira para Alamo, no Texas, para mostrar o trabalho que foi feito. Aproveita para se afastar da capital, onde nesse mesmo dia a Câmara dos Representantes poderá votar um novo impeachment.

"O presidente Trump deve viajar para Alamo, no Texas, na terça-feira, para assinalar a conclusão de mais de 400 milhas [640 quilómetros] de muro fronteiriço - uma promessa feita, uma promessa cumprida - e os esforços da sua Administração em reformar o nosso sistema de imigração partido", disse um dos porta-vozes da Casa Branca, Judd Deere.

Apesar de a maior parte do muro ter sido erguido em áreas onde já existiam pequenas barreiras, o governo construiu centenas de quilómetros de vedação de quase nove metros de altura num curto espaço de tempo (a maior parte nos últimos dois meses), segundo a AP, que lembra ainda que ao contrário do prometido, não foram os mexicanos, mas os norte-americanos a pagar o muro.

A visita será a primeira aparição em público do presidente desde que discursou para os seus apoiantes, na quarta-feira, antes destes invadirem o Capitólio, numa tentativa de travar a confirmação oficial da vitória de Joe Biden.

Os democratas na Câmara dos Representantes vão avançar com um pedido de impeachment do presidente, cujo mandato termina a 20 de janeiro, devendo apresentar a sua proposta já esta segunda-feira e votar já na terça ou quarta-feira. O processo pode contudo demorar até chegar ao Senado, onde o presidente terá que ser julgado (havendo quem defenda que poderá sê-lo mesmo depois de deixar a Casa Branca).

Mas não são só os democratas que querem a saída de Trump, com membros do seu próprio Partido Republicano a defenderem que se deve demitir.

A demissão "é o melhor caminho a seguir", disse o senador republicano Pat Toomey à CNN. "Isso seria um bom resultado", acrescentou. Segundo o senador, desde as eleições de 3 de novembro, Trump "desceu até um nível de loucura e envolveu-se em atividades que são absolutamente impensáveis e imperdoáveis".

A senadora Lisa Murkowski do Alasca, foi a primeira republicana a apelar à demissão de Trump. "Eu quero-o fora", disse, mas há vários congressistas republicanos, como Adam Kinzinger, que repetiram este domingo essa mesma mensagem.

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