De Cadiz para o Eliseu? Anne Hidalgo anuncia candidatura à presidência

Presidente da Câmara de Paris lembrou as suas origens espanholas e disse-se preocupada com a França que lhe deu a sua "oportunidade".

Estou aqui para vos falar de França. Eu, uma mulher francesa nascida em Espanha, cheguei ao nosso país aos dois anos de idade e cresci em Lyon, num bairro da classe trabalhadora", recordou Anne Hidalgo ontem em Rouen. Foi esta a cidade escolhida pela presidente da Câmara de Paris para anunciar a candidatura às presidenciais de 2022.

A socialista fez o anúncio rodeada de militantes partidários num evento na cidade portuária do noroeste de França no qual destacou as suas modestas origens numa família espanhola que emigrou e o facto de a França lhe ter dado a oportunidade de crescer pessoal e profissionalmente, ao ponto de aspirar à mais alta posição de responsabilidade no país. Recordou o pai, "um trabalhador dos estaleiros navais de Cádis", a mãe, uma costureira, e o avô, "condenado à morte por um tribunal militar franquista" que transmitiu ao seu filho "o amor pela França, o país das liberdades, da República e de Victor Hugo".

A autarca de 62 anos disse que agora está "preocupada com esta França que me deu a minha oportunidade" porque acredita que "o modelo republicano está a desintegrar-se e com este as proteções que foram sendo construídas ao longo da História" de França.

Na sua opinião, as liberdades estão a ser reduzidas. Em vez de igualdade há um aumento da injustiça e em vez de fraternidade o país "está dividido em grupos hostis, em comunidades separadas, em fações que mostram a sua amargura, a sua raiva, por vezes com tanta violência". É por isto que estou "pronta" para "fazer das nossas esperanças a realidade das nossas vidas". Decidi ser candidata à Presidência da República Francesa", afirmou.

Durante um discurso de 20 minutos, Hidalgo atacou a presidência de Macron, que, na sua opinião, "dividiu como nunca antes" os franceses, "agravou" problemas sociais e "virou as costas à ecologia".

Sem entrar em muitos detalhes sobre o que será o seu programa, Hidalgo referiu os principais pontos, incluindo a transição ecológica com energias renováveis, o aumento dos salários dos funcionários públicos e a abertura de negociações setoriais para aumentar os salários dos trabalhadores, que disse que estariam "mais envolvidos nos conselhos de administração".

"Com a minha história, com a minha experiência, fiel aos meus valores e livre como sempre fui, quero fazer o que puder para reparar (...) para construir uma França mais justa", concluiu.

Apesar de ter sido eleita para um segundo mandato em Paris, em meados de 2020, garantindo que não se candidataria à presidência, Hidalgo lembrou que "nada" a impede de concorrer. E junta o seu nome à longa lista de candidatos presidenciais de esquerda, ao lado do esquerdista Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), o ecologista Yannick Jadot, o comunista Fabien Roussel e o ex-socialista Arnaud Montebourg, entre outros.

Mas a sete meses da votação, nenhum deles chegaria à segunda volta, segundo as sondagens, que apontam Macron como favorito contra Marine Le Pen (extrema direita).

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