Da Ucrânia aos vícios. As memórias de Hunter Biden

Filho do presidente norte-americano revela num livro a sua luta contra o álcool e as drogas e o apoio que o pai sempre lhe deu.

Foi a pressão que o então presidente norte-americano fez sobre o homólogo ucraniano para que investigasse Hunter Biden que resultou no primeiro processo de impeachment de Donald Trump. Mas a ligação do filho do atual presidente dos EUA, Joe Biden, com uma empresa ucraniana ocupa apenas 18 das 272 páginas do seu livro de memórias. Beautiful Things, que será publicado a 6 de abril nos EUA, centra-se antes na sua luta contra os vícios (álcool e drogas) e em como isso afetou as suas relações familiares e a sua carreira.

Hunter, de 51 anos, foi um dos alvos de Trump durante a campanha para as presidenciais. Em especial por causa do trabalho de lóbi que fez para a empresa de gás natural ucraniana Burisma, ganhando dezenas de milhares de dólares por mês. "Não há dúvida de que o meu apelido era uma credencial cobiçada. Foi sempre assim", escreveu, segundo excertos citados na imprensa norte-americana. E lembrou que aconteceria o mesmo aos filhos de Trump se quisessem trabalhar fora das empresas do pai.

Alegando que Trump tentou pegar numa "banalidade" para atingir o pai, fazendo parecer que ambos teriam cometido ilegalidades, Hunter, que estudou Direito, reiterou que nunca foi acusado de nada.

Álcool e drogas

Hunter recorda no livro o momento em que, tinha ele 3 anos, um trator embateu no carro em que seguia com a mãe e os irmãos, causando a morte de Neilia Biden e da filha mais nova, de 13 meses. "Não vejo aquele momento trágico como resultando nos comportamentos que levaram ao vício. Isso seria uma desculpa", referiu, admitindo contudo que sempre se sentiu sozinho no meio da multidão.

Tinha 8 anos quando bebeu champanhe pela primeira vez, mas foi já na casa dos 20, depois do nascimento da sua terceira filha com a agora ex-mulher Kathleen, que o álcool se tornou um problema. "Podia sempre beber cinco vezes mais do que qualquer pessoa", escreve, segundo excertos do livro divulgados pelo The New York Times. A certa altura, estava tão desesperado por uma bebida, que não conseguia andar um quarteirão depois de sair da loja "sem abrir a garrafa para beber um gole".

A família sempre o apoiou, tentando que procurasse ajuda para o alcoolismo, incluindo o pai. "Ele nunca me abandonou, nunca me afastou, nunca me julgou, não importa quão más as coisas estivessem - e, acreditem, a partir dali ficariam muito piores", explica. Em 2016, depois da morte do irmão Beau com cancro, Hunter troca o álcool pelas drogas. "Comprei crack nas ruas de Washington DC e cozinhei o meu próprio dentro de um bungalow num hotel de Los Angeles", refere. A determinada altura, "estava a fumar crack a cada 15 minutos" e chegou mesmo a ter uma arma apontada a ele.

Hunter está sóbrio graças ao apoio da sua nova mulher, Melissa, com quem se casou em 2019, dias depois do primeiro encontro. O casal tem um filho. Para trás ficou outra relação, com a viúva do irmão Beau, Hallie: "A nossa relação começou como uma tentativa desesperada de agarrar o amor que ambos tínhamos perdido e a sua dissolução só aprofundou a tragédia", explicou. "O que tinha partido tinha partido permanentemente."

susana.f.salvador@dn.pt

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