Covid-19. Merkel diz que situação na Alemanha é "dramática"

A chanceler alemã afirmou que "a quarta onda" de covid-19 está a atingir o país "com toda a força" e apelou novamente à vacinação. Já há mercados de Natal que foram cancelados devido à pandemia.

A situação é "dramática", alertou, esta quarta-feira, a chanceler alemã Angela Merkel, perante o agravamento da pandemia no país. Pelo 10º dia consecutivo, a incidência da infeção na Alemanha atingiu um novo recorde.

"A quarta onda de covid-19 está a atingir o nosso país com toda a força", disse Merkel. "O número diário de infeções é o mais alto de sempre... e o número diário de mortes também é assustador", adiantou.

A chanceler voltou, por isso, a apelar à adesão dos cidadãos ao processo de vacinação. "Não é tarde demais para se decidir pela primeira toma da vacina", afirmou Merkel que defende a vacinação como uma das principais estratégias para que se possa sair da pandemia.

Declarações proferidas antes de se reunir com os líderes dos estados federados da Alemanha, que deverão decidir novas medidas restritivas para travar a propagação da doença.

Nesta quarta-feira, a Alemanha voltou a registar novos máximos diários de novas infeções por SARS-CoV-2 e incidência desde o início da pandemia, de acordo o Instituto Robert Koch (RKI) de virologia, que avança com um recorde de 52 826 novos casos.

Já há mercados tradicionais de Natal cancelados e outros estão em suspenso

A incidência registou também um novo pico, com 319,5 novas infeções por 100 000 habitantes, comparando com os 312,4 de terça-feira, 232,1 na semana passada e 66,1 no mês anterior.

O número de mortes associadas à covid-19 aumentou para 294, em comparação com 236 da semana anterior, e o número de casos ativos é de 490 800.

Devido ao agravamento da pandemia no país, já foram cancelados alguns mercados tradicionais de Natal e outros estão em suspenso, aguardam pela decisão das autoridades.

O Striezelmarkt, em Dresden, o mercado de Natal mais antigo da Alemanha, que atrai cerca de três milhões de visitantes todos os anos, deve ser inaugurado a 22 de novembro. Os vendedores já construíram as cabanas de madeira e estão ocupados a pendurar as decorações. Mas podem ter que retirar tudo a qualquer momento.

"Não consigo descrever o que estamos a passar atualmente", disse à AFP Karin Hantsche, que vende pão de gengibre tradicional no mercado há 32 anos. "Não vamos dormir à noite, estamos muito nervosos e tensos", admitiu, perante a incerteza que o aumento de casos de covid-19 está a gerar.

O estado da Saxónia fez saber que os mercados podem realizar-se, mas as autoridades locais em Dresden devem reunir-se a 25 de novembro e podem ter uma visão diferente.

O governo central e os líderes dos 16 estados federais também devem reunir-se já esta semana, com novas medidas nacionais de combate à pandemia em cima da mesa.

Para Hantsche, cuja empresa obtém 50% da sua receita no período de Natal, o cancelamento do mercado seria um desastre. "Nem toda a gente irá sobreviver a isto", afirmou.

"Estamos preparados para dispensar imediatamente todos novamente se a pandemia assim o exigir. Mas precisamos de alguma forma de compensação pelos custos e, atualmente, não temos isso", fez saber.

Antes da pandemia, os mercados de Natal recebiam cerca de 160 milhões de visitantes todos os anos e geravam receitas de três a cinco mil milhões de euros, de acordo com os números de uma associação de empresários do setor.

A maioria das cidades alemãs cancelou os mercados de Natal no ano passado, à medida que os casos da covid-19 começaram a aumentar.

Na terça-feira, Munique tornou-se na primeira grande cidade alemã a cancelar o seu tradicional mercado de Natal de 2021, sendo que vários outros mercados, de menor dimensão, já foram cancelados em toda a Alemanha.

Outros mercados deverão realizar-se, mas com restrições: em Leipzig, por exemplo, não haverá álcool, enquanto em Nuremberga o mercado será reduzido e dividido em vários locais.

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