Conselho de Segurança da ONU pede vacinação coordenada à escala mundial

Os membros do Conselho de Segurança da ONU apelaram esta quarta-feira a um esforço global coordenado na vacinação contra a covid-19,, alertando que as desigualdades constatadas na fase inicial do processo colocam todo o planeta em risco.

Numa videoconferência ministerial dedicada à área da saúde, um tema que normalmente não é abordado pelo Conselho de Segurança, vários chefes de diplomacia, bem como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e outros representantes, apelaram a uma maior unidade perante o atual flagelo de proporções globais.

"O mundo precisa urgentemente de um plano mundial de vacinação que reúna todos aqueles que têm o poder, a perícia científica e as capacidades de produção e financeiras necessárias", frisou o secretário-geral da ONU, António Guterres, numa declaração ao início da reunião.

"O G20 [grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo] está bem posicionado para estabelecer um grupo de trabalho de emergência com a tarefa de preparar tal plano mundial de vacinação e coordenar a sua aplicação e financiamento", prosseguiu Guterres, afirmando ainda acreditar que o G7 [grupo dos sete países mais ricos do mundo] "pode criar o impulso necessário para mobilizar os recursos financeiros".

"Devemos encararmo-nos como uma equipa que trabalha contra uma ameaça mortal", declarou o chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, cujo país organizou esta reunião na qualidade de presidente rotativo (durante o mês de fevereiro) do Conselho de Segurança.

Ainda nesta área, António Guterres denunciou "um progresso extremamente desigual e injusto em matéria de vacinação". "Apenas 10 países administraram 75% de todas as vacinas contra a covid-19. Enquanto isso, mais de 130 países não receberam uma única dose", frisou. E advertiu ainda: "Se o vírus se espalhar como um incêndio descontrolado nos países do sul, irá sofrer repetidas mutações (...) com novas variantes mais transmissíveis, mais mortíferas que irão ameaçar potencialmente a eficácia das vacinas". E tal cenário, salientou Guterres, poderá "prolongar consideravelmente a pandemia" e permitir que o vírus "volte a devastar o norte".

Atualmente com assento no Conselho de Segurança, o México, através do seu chefe de diplomacia, Marcelo Ebrard Casaubon, criticou o que classificou de "injustiça" e de "uma divisão cada vez mais profunda" entre alguns países ricos que "monopolizam as vacinas" e os outros Estados. É neste sentido que também o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, o arquipélago situado no Mar das Caraíbas, apela para que os " produtores de vacinas que trabalhem de boa-fé"

Já do lado dos EUA, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, anunciou que Washington irá pagar mais de 200 milhões de dólares (cerca de 166,1 milhões de euros) à Organização Mundial da Saúde (OMS) antes do final do mês. "Este é um passo essencial para o cumprimento das nossas obrigações financeiras" para com a OMS e "reflete o nosso compromisso renovado em garantir que a organização beneficie do apoio de que precisa para liderar a resposta global à pandemia", declarou o chefe da diplomacia norte-americana.

Entre os diversos participantes na reunião também esteve a diretora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Henrietta Fore, que defendeu que "neste esforço histórico" também devem estar incluídos "os milhões de pessoas que vivem ou fogem de conflitos e de cenários de instabilidade".

De acordo com Dominic Raab, estas pessoas são atualmente "mais de 160 milhões" em todo o mundo. Nesse sentido, o chefe da diplomacia britânica anunciou a apresentação na ONU de um projeto de resolução que apela a um cessar-fogo temporário nas zonas de conflito para permitir a vacinação, texto que Londres espera ver adotado em breve.

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