Condenado à morte ex-marido que incendiou influencer em direto

Lamu era uma famosa influencer tibetana com milhões de seguidores nas redes sociais. Crime aconteceu em setembro do ano passado.

A Justiça chinesa condenou à morte um homem que matou a ex-mulher depois de a regar com gasolina e pegar-lhe fogo, num homicídio que transmitiu em direto. O caso criou uma enorme controvérsia e polémica na China, e trouxe de volta ao debate a violências sobre as mulheres.

O crime de Tang Lu foi "extremamente cruel e o impacto social, extremamente grave", considerou o juiz.

A tibetana Lamu (nome pela qual era conhecida) era uma conhecida influencer que tinha centenas de milhares de seguidores no Douyin, como o TikTok é conhecido na China. E ficou famosa pelas suas partilhas sobre a vida rural. Costumava ser elogiada por não usar maquilhagem nos seus vídeos, que recebiam milhões de likes.

Lamu divorciou-se de Tang, que, segundo o tribunal, tinha um histórico de violência contra a ex-mulher. O crime aconteceu em setembro de 2020. Lamu sofreu queimaduras em 90% do corpo e acabou por morrer duas semanas depois.

O tribunal de Aba, uma pequena área rural no sudoeste da província de Sichuan, onde vive um grande número de tibetanos, considerou que Tang merecia uma "punição severa".

Depois da sua morte, dezenas de milhares de seguidores deixaram mensagens sua página da influencer no Douyin, e milhões de utilizadores da plataforma Weibo pediram justiça usando hashtags posteriormente censuradas.

A China criminalizou a violência doméstica em 2016, mas este tipo de crime continua generalizado, sobretudo nas áreas rurais.

Lamu denunciou Tang várias vezes à polícia ao longo dos anos, mas as autoridades sempre a ignoraram, argumentando que se tratava de um "assunto de família".

A mulher decidiu então divorciar-se de Tang, mas voltou para ele depois de o ex-marido ameaçar matar um dos seus filhos. As agressões continuaram e Lamu divorciou-se de vez, ficando com a guarda dos dois filhos.

Cerca de um quarto das mulheres casadas na China foi vítima de violência doméstica, de acordo com um estudo de 2013 da Federação das Mulheres da China.

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