Chefe da polícia nazi em Viena trabalhou como espião para a Alemanha Ocidental

Em 1967 os serviços secretos da Alemanha Ocidental concluíram que Huber, que lá trabalhava desde 1955, poderia "colocar em risco o serviço"

Um general da SS nazi responsável pela deportação de dezenas de milhares de judeus para campos de concentração trabalhou para os serviços de inteligência da Alemanha Ocidental após a Segunda Guerra Mundial, protegido por processos judiciais.

Segundo a BBC, a proteção concedida a Franz Josef Huber foi revelada pelo serviço de espionagem alemão BND, em arquivos vistos pela emissora pública alemã ARD. Os militares norte-americanos saberiam dos seus crimes.

Huber assumiu o comando da Gestapo em Viena imediatamente depois de Adolf Hitler ter anexado a Áustria em março de 1938 e manteve o cargo até o final de 1944, tendo trabalhado lado a lado com Adolf Eichmann, que criou a Agência Central para a Emigração Judaica em Viena e tratou da deportação massiva de judeus.

Uma das primeiras tarefas de Huber como líder da Gestapo foi enviar os líderes da comunidade judaica para o campo de concentração de Dachau, perto de Munique.

Quando os aliados ocuparam a Alemanha Nazi já numa fase de desintegração, Huber estava na lista de homens procurados pelos Estados Unidos, tendo sido detido pelos norte-americanos em maio de 1945.

Huber esteve preso por quase três anos, tendo sido libertado em 1948, escapando a julgamentos de crimes de guerra, refere o New York Times, que teve acesso a material da ARD.

Huber foi contratado em 1955 para trabalhar para os serviços de inteligência da Alemanha Ocidental, o BND, que em 1967 concluiu que não podia manter o espião por considerar que o seu papel poderia "colocar em risco o serviço".

Depois Huber recebeu uma pensão de serviço público alemão, mas também trabalhou para uma empresa de equipamentos de escritório, tendo morado em Munique até morrer, aos 73 anos.

Stefan Meining, historiador envolvido na investigação do ARD, diz que o BND "sabia exatamente que Huber não era um pequeno assassino da Gestapo, mas um general SS, que se movia nos círculos mais íntimos do aparato terrorista nazi e era responsável pela morte de dezenas de milhares de judeus e opositores do regime".

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