Cervejeiras belgas trabalham a toda a velocidade para repor barris. Bares reabrem no dia 8

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Cervejeiras belgas trabalham a toda a velocidade para repor barris. Bares reabrem no dia 8

Estiveram parados durante seis meses e agora afadigam-se a produzir cerveja a tempo de reabastecer os bares que reabrem portas no dia 8 de maio.

Falta uma semana para os bares da Bélgica reabrirem portas ao público. Nos bastidores, as cervejeiras fazem o que podem para repor stocks.

Seis meses depois do país ter entrado num segundo confinamento, proprietários de bares e produtores de cerveja estão desejosos de voltar ao negócio.

Confiam que os belgas não perderam o gosto pelas famosas cervejas belgas, apesar da tarefa de encher barris ser imensa. E, com o serviço no interior dos espaços e o distanciamento obrigatório imposto, o tempo escasseia para muitos numa indústria que já foi muito ferida pela pandemia.

"É toda uma máquina que tem de voltar à estrada", explica Lionel Van Der Haegen, diretor da cervejeira Silly, na aldeia belga com o mesmo nome.

Estão a trabalhar muito mas o diretor teme que pelos clientes. "Alguns foram à falência", disse à AFP. "Todos os dias contam. Temos de reabrir o mais depressa possível"

Parar o ciclo da cerveja de pressão em outubro de 2020 foi um exercício logístico importante, conta a AFP. Num período normal, pesados barris de cerveja são levados para as caves e retirados vazios e, por isso, muito mais leves.

Quando os bares foram obrigados a fechar no final de outubro, stocks de cervejas destinados a durar vários meses tiveram de ser devolvidos.

A cultura cervejeira da Bélgica é património reconhecido pela UNESCO e não foi questão em Silly, orgulhosa da sua marca de frescura, armazenar cerveja. As cervejas que não foram bebidas foram destruídas cuidadosamente e agora um novo lote está a ser produzido a pensar no dia 8 de maio e na reabertura da restauração.

"Demora entre um mês e seis semanas entre o momento em que que se começa e se prova uma cerveja de Silly", diz Van Der Haegen, mostrando à AFP o que se passa na fábrica.

A cervejeira de Silly domina esta aldeia de pouco mais de 7 mil pessoas. Em períodos normais, produz 2,5 milhões de litros por ano - das várias categorias.

Enqunto a AFP visitava a fábrica, um agricultura estacionou um trator para recolher uma carga de grãos - o que sobra depois da fermentação - que servem para alimentar o gado.

A fábrica opera desde 1850, emprega 24 pessoas a tempo inteiro, fornece bares em toda a região e exporta cervejas para os EUA e China.

Está neste momento a funcionar a 70% e o diretor Van Der Haegen não sabe quando a normalidade será retomada.

"Estamos preparados, a fazer stock e a chamar as equipas para preparar a logística e despachar as encomendas, chamar os clientes e planear entregas", diz o diretor.

A reabertura será um alívio para quem gosta de cerveja, assim cmo para os donos de bares e cervejeiras, mas mantém-se uma grande incerteza. Para começar, apenas as esplanadas vão estar abertas nesta fase. Antecipa-se que a alegria de uns por poderem voltar a beber contrastará com aqueles que ainda se sentem nervosos com as multidões, enquanto a pandemia durar.

Rebeldes afastados pela polícia

Há um sentimento de rebeldia em várias cidades da Bélgica. Em Liege vários locais ameaçaram quebrar as regras de confinamento e foram travados por canhões de água da polícia. Guardas montados tiveram de dispersar manifestantes num parque de Bruxelas.

Sebastien Weverbergh, que gere um bar ao lado da cervejeira Silly defende que ninguém está mais preparado do que os donos de bares para fazer um retorno seguro ao serviço normal.

A indústria ganhou experiência a instalar medidas de segurança e a lidar com clientes exuberantes, diz, considerando que a Bélgica tem de voltar aos pubs.

"Não ver os nossos clientes é como ser castigado, como se não tivessemos o direito de ver as pessoas que, no fim, são nossos amigos", disse, somando os problemas financeiros que enfrentam.

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