Centenas de famílias deixam as casas com avanço dos incêndios na Grécia. Chuva ajuda na Turquia

França e Reino Unido enviam meios para ajuda no combate aos fogos que devastam os países do Mediterrâneo

Milhares de bombeiros continuaram este sábado a luta contra os incêndios que já devoraram um número recorde de florestas na Grécia e deixaram centenas de famílias desalojadas, enquanto na Turqiua as fortes chuvas trouxeram algum alívio.

Mais de 1.450 bombeiros gregos apoiados por pelo menos 15 aeronaves lutaram contra as chamas, com reforços vindos de países externos, disse o serviço nacional de bombeiros.

Em Pefkofyto, no norte de Atenas, o aposentado Tasos Tsilivakos lutava para conter as lágrimas. "É um desastre horrível", disse à reportagem da AFP. "Estou realmente com medo de que talvez apenas os nossos bisnetos tenham a hipótese de voltar novamente a essas áreas."

Um outro homem, de 62 anos, da vizinha Agios Stefanos, disse à Alpha TV como, após ser evacuado, viu a sua casa a ser consumida pelas chamas, em direto, através da televisão. "O meu filho ainda está a chorar de choque", disse.

França e Grã-Bretanha ajudam

O presidente francês Emmanuel Macron tuitou que tinha conversado com o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, sobre a crise, e anunciou a ajuda francesa.

"Solidariedade como europeus sempre", tuitou Macron, acrescentando que a França tinha destacado 80 bombeiros e equipas de resgate, bem como três aviões de combate a incêndios Canadair.

A secretária do Interior do Reino Unido, Priti Patel, também tuitou no sábado que a Inglaterra envia "uma equipa de bombeiros experientes para apoiar os bombeiros gregos que atualmente lutam contra as grandes chamas".

O Egito também deve enviar dois helicópteros e a Espanha um avião Canadair.

Verão de pesadelo

Com fortes ventos e temperaturas de até 38 graus este sábado, as chamas na Grécia devem continuar por mais algum tempo. E os incêndios deste ano já foram muito mais destrutivos do que nos anos anteriores.
Nos últimos 10 dias, 56.655 hectares arderam na Grécia, de acordo com o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais. O número médio de hectares queimados no mesmo período entre 2008 e 2020 foi de 1.700 hectares.

"Quando este verão de pesadelo acabar, reverteremos os danos o mais rápido possível", prometeu o primeiro-ministro Mitsotakis, este sábado.

Grécia e Turquia lutam contra incêndios devastadores há mais de uma semana, enquanto a região sofre a sua pior onda de calor em décadas. Autoridades e especialistas atribuíram a responsabilidade desses eventos intensos às mudanças climáticas.

Até agora, os fogos mataram duas pessoas na Grécia e oito na Turquia, com dezenas de outras hospitalizadas em 10 dias.

Um relatório preliminar da ONU visto pela AFP rotulou a região do Mediterrâneo um "hotspot de mudança climática", alertando que ondas de calor, secas e incêndios se tornariam mais violentos no futuro, sobrecarregados pelo aumento das temperaturas.

Chuvas ajudam Turquia

Na Turquia, o clima deu este sábado algum alívio. Autoridades da cidade costeira de Antalya disseram que as chamas estavam sob controlo naquela província do sudoeste, após fortes chuvas, que eram esperadas também em áreas como Manavgat, uma das mais afetadas pelos incêndios.

A situação permaneceu grave, no entanto, em torno do ponto turístico de Mugla, onde pelo menos três bairros foram obrigados a evacuar.

Houve mais de 200 incêndios em 47 das 81 províncias da Turquia, informou o ministro da Agricultura, Bekir Pakdemirli, no sábado. Treze desses incêndios em cinco províncias ainda estavam ativos.

Medo de mais ventos fortes

O vice-ministro da Proteção Civil grego , Nikos Hardalias, disse este sábado que 55 incêndios estavam ainda ativos em toda a Grécia, espalhados por várias regiões como Evia, a segunda maior ilha do país, que fica a leste da capital; a região do Peloponeso, no sudoeste; e Fthiotida, na Grécia Central.

Só a frente de incêndio em Evia percorreu uma extensão de 30 quilômetros (18 milhas), disse Fanis Spanos, governador regional da Grécia Central. No norte da ilha, outras 23 pessoas foram evacuados na manhã de sábado, depois de 1.300 terem sido retirados das praias por barco na noite anterior. Os navios de guerra da Marinha estavam em alerta máximo ao largo da costa, caso fossem necessárias mais evacuações.
Enquanto isso, as autoridades reabriram parte de uma rodovia que liga Atenas ao norte do país.

O governador da Grécia Central, Spanos, disse à Agência de Notícias de Atenas (ANA) que mais de 300 famílias cujas casas foram incendiadas estavam a ser abrigadas em hotéis.

A situação continuou difícil também em Mani, no Peloponeso, onde 5.000 pessoas foram evacuadas na sexta-feira. Eleni Drakoulakou, autarca de East Mani, disse à ERT TV no sábado que metade do município foi destruído pelas chamas. A autarca culpou a falta de apoio aéreo durante as primeiras horas críticas do incêndio florestal.

A ANA informou que duas pessoas foram acusadas de incêndio criminoso: uma mulher foi presa em Atenas na sexta-feira com dois isqueiros, gasolina e material inflamável, logo após o início de um incêndio. E um homem de 43 anos foi preso em Krioneri, no norte da Ática.

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