Cabo Delgado. Forças governamentais recuperam vila de Mocímboa da Praia

As forças de segurança conjuntas dos governos do Ruanda e de Moçambique recuperaram a vila portuária de Mocímboa da Praia, no norte do país e anteriormente capturada pelos rebeldes, anunciou o exército ruandês.

"A vila portuária de Mocímboa da Praia, um grande bastião da insurgência há mais de dois anos, foi capturada pelas forças de segurança ruandesas e moçambicanas", pode ler-se numa publicação das Forças de Defesa do Ruanda no Twitter.

A mesma publicação relembra que a cidade, alvo de uma operação de recuperação por parte de Maputo e Kigali durante a última semana, "também incorpora a Sede de Distrito e o aeroporto".

O Ministério da Defesa de Moçambique confirmou também a reconquista da vila de Mocímboa da Praia pelas forças conjuntas moçambicanas e ruandesas, avançando que os combates continuam para a "consolidação das zonas que prevalecem críticas".

"As forças conjuntas de Moçambique e Ruanda controlam a vila de Mocímboa da Praia, desde as 11:00 [10:00 de Lisboa] de 08 de ago de 2021", declarou o porta-voz do Ministério da Defesa de Moçambique, Omar Saranga, durante uma conferência de imprensa este domingo em Maputo.

Saranga adiantou que as duas forças recuperaram o controlo de infraestruturas públicas e privadas, incluindo a sede do governo distrital, o porto, aeroporto, hospital, mercados e estabelecimentos de restauração.

"Neste momento, as operações continuam na vila de Mocímboa da Praia com o objetivo de consolidar o controlo sobre as zonas que prevalecem críticas, nomeadamente, alguns bairros periféricos e a zona onde se localiza a estação de tratamento de água", acrescentou.

A vila costeira de Mocímboa da Praia, por muitos apontada como a "base" dos insurgentes, é uma das principais do norte da província de Cabo Delgado, situada 70 quilómetros a sul da área de construção do projeto de exploração de gás natural conduzido por várias petrolíferas internacionais e liderado pela Total.

A vila tinha sido invadida e ocupada durante um dia por rebeldes em 23 de março do ano passado, numa ação depois reivindicada pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico, e foi, em 27 e 28 de junho daquele ano, palco de longos confrontos entre as forças governamentais e os grupos insurgentes, o que levou à fuga de parte considerável da população.

As Forças de Defesa e Segurança de Moçambique contam, desde o início do mês, com o apoio de mil militares e polícias do Ruanda para a luta contra os grupos armados, no quadro de um acordo bilateral entre o Governo moçambicano e as autoridades de Kigali.

Grupos armados aterrorizam a província de Cabo Delgado desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Na sequência dos ataques, há mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, segundo as autoridades moçambicanas.

atualizado às 18.40

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