Bruxelas reconhece "preocupação" com atraso na entrega da vacina da Janssen

Em Bruxelas a convicção é a de que o objectivo de vacinar "70 por cento dos adultos" até ao final do próximo mês ainda "pode ser esperado".

A Comissão Europeia está em contacto com a fabricante da vacina da Johnson&Johnson, para avaliar a dimensão dos atrasos, já identificados em vários países europeus, nas entregas da única vacina mono dose.

Os representantes nacionais no grupo coordenador para a compra conjunta de vacinas já foram informados da incapacidade da empresa para apresentar o número contratualizado de doses nesta fase, tendo "evidentemente expressado preocupação", apontou o porta-voz para a Saúde, Stefan De Keersmaecker.

Mas, em Bruxelas a convicção ainda é a de que o objetivo de vacinar "70 por cento dos adultos" até ao final do próximo mês "pode ser esperado", não obstante, o atraso nas entregas da vacina que deveria acelerar a imunização, por dispensar a toma de um reforço.

O porta-voz afirma que a Comissão Europeia está em conversações com a fabricante da Vacina da Johnson& Johnson, "no âmbito dos contratos com todos os fabricantes", e está a "acompanhar a entrega de doses, para ver o que se passa e verificar como podem regularizar a situação".

A Jansen comprometeu-se a entregar 55 milhões de doses no segundo trimestre do ano. Mas, até agora, a única vacina mono dose, está abaixo dos 20 por cento de entregas. Bruxelas tenta evitar que os atrasos tenham ainda mais impacto nos programas nacionais de vacinação.

"Trabalhamos sempre na base da possibilidade de termos o número de doses negociado para o segundo e terceiro trimestre. Mas, continuamos a acompanhar isso dentro do grupo coordenador. O comissário Breton já discutiu com a empresa sobre a capacidade de produção, e o grupo de trabalho continua a seguir a situação", afirmou.

"Sabemos que se trata de uma redução temporária. E esperamos voltar a ver um aumento da entrega de doses muito em breve", afirmou De Keersmaecker, sublinhando acreditar que os atrasos não virão a boicotar as metas estabelecidas para a vacinação dos europeus.

"Com base na informação de que dispomos, dada pelas empresas, pensamos que - como a Presidente tem afirmado - teremos doses suficientes para distribuirmos, para podermos esperar pelo objetivo de termos 70 por cento de vacinação da população adulta, como já dissemos antes", disse.

Até aqui, a presidente da Comissão Europeia tem dito que o objetivo será alcançado no verão. E, muito recentemente Ursula von der Leyen antecipou a mete de 70 por cento de adultos vacinados até ao final do próximo mês.

De acordo com o jornal espanhol El Pais, os atrasos nas entregas da vacina da Jansen devem-se a "uma combinação de dois fatores", nomeadamente às "obras de expansão da fábrica onde produz a princípio ativo da vacina para a União Europeia", localizada em Leiden, nos Países Baixos.

A fábrica já voltou, entretanto, a funcionar, mas devido aos longos tempos de produção que esta vacina exige, "os resultados só serão visíveis no final de julho", refere o jornal.

Em março, a Agência Europeia do Medicamento recomendou a concessão de uma Autorização de Introdução no Mercado condicional para a Vacina Janssen contra a covid-19 em pessoas a partir dos 18 anos, após ter verificado a "segurança e eficácia" da substância.

No mês seguinte a agência veio admitir uma possível ligação entre efeitos adversos raros e a inoculação com o fármaco da Janssen, tendo a presidente do comité de farmacovigilância e avaliação do risco, Sabine Straus vindo defender que devem ser acrescentados elementos à Bula da vacina, nomeadamente "um alerta, na atualização dos efeitos secundários".

A decisão surgiu na sequência de oito casos identificados, entre os sete milhões de pessoas vacinadas com o fármaco da Jansen, relativos a coágulos sanguíneos combinados com níveis baixos de plaquetas, que "ocorreram maioritariamente em mulheres, abaixo dos sessenta anos, dentro das primeiras três semanas após a vacinação", referiu Sabine Straus, apontando a existência de um único "resultado fatal".

"É muito importante que os profissionais de saúde, e as pessoas que vierem a ser vacinadas estejam cientes que estes riscos devem ocorrer", alertou, referindo-se às ocorrências adversas em oito pessoas, entre os sete milhões de vacinados, vacinados até então. A Agência do Europeia do Medicamento manteve a classificação da vacina como "segura e eficaz" contra a covid 19.

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