Bruxelas condena "nos termos mais fortes possíveis" violência na Irlanda do Norte

A Comissão Europeia reagia assim aos confrontos dos últimos dias na Irlanda do Norte que fizeram, segundo a polícia, 55 feridos entre as autoridades policiais.

A Comissão Europeia condenou esta quinta-feira "nos termos mais fortes possíveis" os distúrbios que ocorreram nos últimos dias na Irlanda do Norte, apelando a que os envolvidos se "abstenham imediatamente" dos "atos de violência".

"Condenamos nos termos mais fortes possíveis os atos de violência que ocorreram na Irlanda do Norte nos últimos dias", afirmou o porta-voz do executivo comunitário, Eric Mamer, durante a conferência de imprensa diária da Comissão Europeia.

Frisando que "ninguém tem nada a ganhar" com os confrontos, o porta-voz apelou a que "todos os envolvidos se abstenham imediatamente" dos "atos de violência".

A Comissão Europeia reagia assim aos confrontos dos últimos dias na Irlanda do Norte que fizeram, segundo a polícia, 55 feridos entre as autoridades policiais.

No último incidente em questão, que ocorreu na quarta-feira à noite durante uma manifestação, alguns manifestantes atacaram a polícia com bombas feitas com gasolina na área protestante de Shankill Road, enquanto outros atiravam objetos em ambas as direções sobre o "muro da paz", que separa Shankill Road de uma área nacionalista irlandesa vizinha.

Estas manifestações de violência na quarta-feira à noite seguiram-se aos distúrbios ocorridos durante o fim de semana da Páscoa em áreas dentro e ao redor de Belfast e Londonderry, com carros incendiados e ataques contra polícias.

As autoridades acusaram grupos paramilitares ilegais de incitar os jovens a causar confusão.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, condenou os distúrbios, pedindo calma e dizendo que "a maneira de resolver as diferenças é por meio do diálogo, não da violência ou da criminalidade".

Também o Governo da Irlanda do Norte, através de um comunicado, condenou as violências, considerando-as "completamente inaceitáveis e injustificadas" e mostrando-se "gravemente preocupado" com a situação.

A violência recente, em grande parte em áreas pró-britânicas, aumentou devido a tensões crescentes sobre as regras comerciais pós-Brexit para a Irlanda do Norte e piorou as relações entre os partidos no Governo de Belfast, compartilhado entre católicos e protestantes.

O novo acordo comercial entre Londres e o bloco comunitário impôs controlos aduaneiros e fronteiriços a algumas mercadorias que circulam entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido.

O acordo foi elaborado para evitar controlos entre a Irlanda do Norte e a Irlanda, um membro da UE, uma vez que uma fronteira irlandesa aberta ajudou a sustentar o processo de paz construído pelo Acordo de Sexta-Feira Santa em 1998, que terminou na altura com três décadas de violência que provocaram mais de 3.00 mortes.

Mas, os unionistas têm argumentado que estes novos controlos equivalem a uma nova fronteira no mar da Irlanda entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido, defendendo o abandono do acordo.

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