Borrell diz que gás e potássio e duas pistas para sanções europeias à Bielorrússia

As sanções são uma resposta ao desvio para Minsk no domingo de um avião da Ryanair, devido a uma alegada suspeita de bomba, e à subsequente detenção do opositor bielorrusso Roman Protasevich

As exportações de potássio e a passagem de gás russo, importantes fontes de receita para a Bielorrússia, são duas pistas para as sanções económicas que estão a ser consideradas pela União Europeia, disse o chefe da diplomacia da UE.

"Os chefes de Estado e de Governo pediram-nos na segunda-feira para propor sanções setoriais. (...) Há algumas que vêm imediatamente à ideia, como as exportações de potássio e o trânsito do gás comprado à Rússia", indicou Josep Borrell à agência France-Presse na quarta-feira à noite.

O Alto Representante para a Política Externa dos 27 assinalou que "a Bielorrússia é um grande exportador de potássio: 2,5 mil milhões de dólares (mais de 2.000 milhões de euros)".

"É fácil de controlar, se se quiser realmente", disse, adiantando que, em relação ao gás, se fosse utilizado outro gasoduto para ele chegar a Europa, "a Bielorrússia perderia os direitos de passagem, o que não é negligenciável".

As sanções são uma resposta ao desvio para Minsk no domingo de um avião da Ryanair, devido a uma alegada suspeita de bomba, e à subsequente detenção do opositor bielorrusso Roman Protasevich, que se encontrava a bordo.

O Conselho informal de ministros dos Negócios Estrangeiros (Gymnich) vai discutir hoje "como implementar" as sanções económicas e setoriais à Bielorrússia.

Qualquer decisão sobre sanções necessita da unanimidade dos 27 países membros da UE.

"Vamos falar certamente sobre a Bielorrússia, vamos discutir como implementar as sanções económicas e setoriais" àquele país, afirmou Josep Borrell à chegada ao Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, onde esta quinta-feira decorre aquele conselho informal, presidido também pelo chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva.

Na segunda-feira, no Conselho Europeu, os chefes de Governo e de Estado da União Europeia decidiram avançar com proibições e sanções contra o regime bielorrusso, com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a declarar na ocasião que a UE "não tolera que tentem jogar à roleta russa com vida de civis", condenando o desvio do voo comercial para deter o jornalista bielorrusso.

Santos Silva, em entrevista esta semana à Lusa, qualificou o desvio do voo da Ryanair como "um ato absolutamente desesperado" da Bielorrússia, no "limite do que é imaginável", e considerou que as justificações de Minsk são "tão implausíveis que são até ridículas".

Em outubro de 2020, a UE avançou com sanções contra o líder da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, depois de este ter reforçado as medidas restritivas contra manifestações pacíficas no país.

As presidenciais de 09 de agosto na Bielorrússia deram a vitória a Lukashenko, no poder há 26 anos, com 80% dos votos, o que é contestado pela oposição e não é reconhecido pela UE.

Além deste assunto, vão também ser discutidas no Gymnich as parcerias com África, a estratégia com a região do Indo-Pacífico e os conflitos na vizinhança Leste.

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