Bolsonaro recontrata amigo dos filhos demitido por abuso

José Vicente Santini volta ao Planalto, com salário reforçado, um ano depois de ter realizado um voo num avião da força aérea brasileira, considerado na altura pelo presidente, "imoral" e "inadmissível". Apelos de Flávio e Eduardo Bolsonaro terão pesado

José Vicente Santini é o novo secretário executivo da secretaria-geral da presidência da República do Brasil desde esta semana. Seria apenas mais uma nomeação para a máquina estatal brasileira, não tivesse Santini sido demitido em abril do ano passado por Jair Bolsonaro, após o uso, para uma viagem sua e de apenas duas secretárias da Suiça para a Índia, de um avião da força aérea brasileira.

Na altura, o presidente da República, com quem Santini vai trabalhar lado a lado agora, mostrou indignação com o voo no avião estatal do jovem funcionário público e equipa, divulgado pela imprensa. "É um episódio inadmissível", classificou Bolsonaro. "E se bem que não ilegal é, pelo menos, imoral porque muitos ministros, mais antigos, foram de avião comercial", prosseguiu.

Demitido do Palácio Planalto, onde exercia à época a função de secretário executivo da Casa Civil, foi ainda assim recolocado no governo como assessor especial da secretaria especial de relacionamento externo da Casa Civil, primeiro, e assessor especial do ministro do ambiente, depois, supostamente após apelos do senador Flávio Bolsonaro e do deputado Eduardo Bolsonaro, ambos filhos do chefe de estado e amigos de longa data de Santini. E volta agora, com status, poderes e vencimentos reforçados ao governo.

Filho de um general do exército, o já falecido Nelson Santini, o novo secretário executivo da secretaria-geral da presidência da República e Eduardo Bolsonaro costumam trocar elogios públicos e partilhar fotografias em férias e outros momentos de lazer juntos. Na campanha eleitoral de 2018, teria colocado à disposição de Michelle Bolsonaro, hoje primeira dama, a empresa de segurança privada da família.

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