Bolsonaro diz que tem "novos estudos" para recusar vacina

​​​​"Por que vou tomar vacina? Seria o mesmo que jogar 10 reais na lotaria para ganhar dois", disse o presidente do Brasil.

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, disse estar a usar "novos estudos" para não se vacinar contra a covid-19, garantindo ter uma proteção contra a doença porque já foi infetado e a sua imunidade "está no topo".

"Em relação à vacina, decidi não tomá-la. Estou a ver novos estudos", afirmou Bolsonaro, em declarações à emissora de rádio Jovem Pan na noite de terça-feira. "Por que vou tomar vacina? Seria o mesmo que jogar 10 reais na lotaria para ganhar dois", insistiu.

As declarações do presidente brasileiro seguem a linha negacionista que mantém desde o início da pandemia do novo coronavírus num país que tem o segundo maior número de mortes por covid-19, depois dos Estados Unidos.

A covid-19 já causou mais de 600 mil mortes no Brasil e foram infetadas 21,6 milhões de pessoas.

Ao contrário de seu presidente, 70% dos brasileiros já receberam a primeira dose da vacina e 47% têm o esquema vacinal completo.

Jair Bolsonaro não especificou a quais "novos estudos" se referia para descartar tomar a vacina contra o novo coronavírus, mas reiterou que o facto de ter sido infetado garante que tenha anticorpos suficientes, ao contrário da opinião dos especialistas.

Em declarações anteriores, Bolsonaro, de 66 anos, disse que seria o último brasileiro a ser vacinado contra a doença, opinião que parece ter mudado agora ao afirmar que não se vacinará.

No entanto, a sua mulher, Michelle Bolsonaro, recebeu recentemente a vacina contra a covid-19 nos Estados Unidos, o que gerou críticas no Brasil por recorrer ao sistema de saúde de outro país.

"Para mim, a liberdade vem em primeiro lugar. Se um cidadão não quer ser vacinado, é seu direito e não existe mais", insistiu Bolsonaro.

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