Bielorrússia. Autoridades bloqueiam e fazem buscas a portal independente

O TUT.BY é o principal meio de comunicação independente do país. "Os agentes do Departamento de Investigações Financeiras da Comissão de Controlo do Estado estão em minha casa e de vários jornalistas do portal", denunciou a jornalista Marina Zolotova.

As autoridades bielorrussas bloquearam esta terça-feira o portal TUT.BY, principal media independente no país, após uma série de buscas às suas instalações e às casas de vários dos seus jornalistas, informou a empresa.

"O cofundador da TUT.BY, Kirill Voloshin, anuncia que o domínio do portal foi bloqueado", divulgou o portal na rede social Telegram.

O portal estava realmente inacessível na Bielorrússia, mas também na Rússia ou na França, de acordo com jornalistas da agência de notícias AFP.

"Os agentes do Departamento de Investigações Financeiras (DFR) da Comissão de Controlo do Estado estão em minha casa e de vários jornalistas do portal", disse a jornalista Marina Zolotova, acrescentando que "os representantes das forças de segurança" também estavam na redação do TUT.BY.

O DFR, um poderoso órgão investigativo que visou a oposição no passado, confirmou a realização de buscas no TUT.BY e nos escritórios da Hoster.by, um provedor de soluções online para hospedagem de portais.

O Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, perante um vasto movimento de protesto contra a sua reeleição considerada fraudulenta em agosto de 2020, orquestrou uma campanha de repressão contra a oposição e os meios de comunicação independentes do país.

O movimento de protesto reuniu dezenas de milhares de pessoas nas ruas de Minsk e outras cidades durante semanas antes de diminuir lentamente devido às prisões em massa, num quadro de violência que resultou em mortos e penas pesadas de prisão.

Jornalista do TUT.BY foi condenado a 15 dias de prisão por ter "participado num evento não autorizado"

O TUT.BY é a principal meio de comunicação independente do país e fez uma ampla cobertura em textos e imagens do protesto, mas também da repressão que se seguiu.

Outros meios de comunicação também foram visados pelas autoridades bielorrussas.

Na semana passada, dois jornalistas que queriam cobrir o julgamento de um opositor foram detidos e submetidos a maus-tratos na prisão, de acordo com a Associação de Jornalistas da Bielorrússia.

Um jornalista do TUT.BY foi condenado a 15 dias de prisão na segunda-feira por ter "participado num evento não autorizado".

O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, promulgou hoje uma lei de segurança nacional que aumenta os poderes da polícia, que passa a poder usar armas militares para impor a ordem pública.

Lukashenko, que ordenou a repressão violenta dos protestos contra a fraude nas eleições presidenciais de 2020, tenta com esta lei impedir o regresso às ruas das manifestações pacíficas da oposição.

A oposição apresentou denúncias de fraude eleitoral e, durante semanas, multiplicaram-se as manifestações pedindo a demissão do Presidente.

O Governo respondeu aos protestos com dura repressão. Vários opositores também tiveram que ir para o exílio, como Svetlana Tikhanovskaya.

A União Europeia e os Estados Unidos impuseram sanções ao regime de Lukashenko por fraude e repressão eleitoral.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG