Biden sobe impostos aos ricos para ajudar famílias

Presidente prometia novidades no discurso no Congresso desta madrugada, véspera de assinalar os seus cem dias na Casa Branca.

O discurso para ambas as câmaras do Congresso estava marcado para as 21.00 de ontem em Washington (02.00 desta madrugada em Lisboa), mas exceto quais seriam as palavras exatas do presidente dos EUA, Joe Biden, os grandes anúncios que tinha planeado para assinalar os seus cem dias na Casa Branca já estavam ontem a ser dissecados pelos media norte-americanos. Além de mencionar aquilo que já conseguiu até agora, nomeadamente a nível do plano de vacinação contra a covid-19, Biden tinha previsto apresentar o Plano para as Famílias Americanas, que quer financiar com o aumento dos impostos para os mais ricos.

Diante de uma audiência reduzida na Câmara dos Representantes (só 200 em vez de 1600 como é habitual) por causa da pandemia de covid-19 e num Capitólio onde a segurança ainda está reforçada depois da invasão de janeiro, Biden previa apresentar um plano de investimento de 1,8 biliões de dólares para gastar nos próximos dez anos que é destinado às famílias. E a grande aposta é na área da educação, com um plano para tornar o ensino pré-escolar universal para crianças com 3 e 4 anos e oferecer dois anos de propinas grátis nas universidades comunitárias. Além disso, a ideia é melhorar os apoios dados às famílias mais pobres (com cheques mensais de 250 dólares por criança até 2025) e criar um sistema de baixas pagas.

Para financiar o seu plano, o presidente norte-americano quer reverter uma série de medidas do seu antecessor, Donald Trump, nomeadamente no que diz respeito aos impostos. A ideia passa, por exemplo, por aumentar a taxa máxima de imposto cobrado dos 37% para os 39,6% - atingindo os bolsos de 1% das famílias mais ricas dos EUA. Quem ganhar mais de um milhão de dólares por ano verá também os rendimentos sobre capitais, da venda de ações ou casas, quase duplicar de 20% para 39,6%. No total, as medidas previstas devem render 1,5 biliões de dólares na próxima década.

"O presidente vai propor uma série de medidas para garantir que os norte-americanos mais ricos vão pagar os impostos que devem e, ao mesmo tempo, garantir que ninguém que ganhe menos de 400 mil dólares por ano veja os seus impostos aumentar", disse um responsável, sob anonimato, aos jornalistas. "Estas reformas são fundamentalmente sobre justiça no código tributário", acrescentou.

Este plano terá que passar no Congresso, onde os democratas têm a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado (graças ao voto de desempate da vice-presidente Kamala Harris). Apesar de defender a importância de os projetos contarem com apoios de ambos os partidos, Biden já aprovou o pacote de ajuda para a recuperação económica sem o voto de nenhum republicano. E não terá problemas em continuar nesse sentido, querendo aproveitar "a oportunidade de uma geração para fazer estes investimentos", segundo a diretora de comunicações da Casa Branca, Kate Bedingfield.

Mas Biden não tinha previsto falar apenas de dinheiro, devendo aproveitar mais uma vez para referir-se a sucesso do plano de vacinação contra a covid-19. Além disso, ainda a nível interno, tinha previsto defender a reforma da polícia - no rescaldo da condenação do agente que matou George Floyd -, assim como a reforma do sistema de imigração e um maior controlo na compra de armas.

A nível internacional, Biden deveria reiterar o compromisso da retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão até à data simbólica de 11 de setembro (20.º aniversário dos atentados terroristas que levaram os EUA para o mais longo conflito em que esteve envolvido). E lembrar as várias ameaças que o país tem em mãos: desde a China á Rússia, as ambições nucleares do Irão e da Coreia do Norte, ou as ameaças de ataques cibernéticos, além dos focos de instabilidade em todo o mundo.

susana.f.salvador@dn.pt

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