Ativista saudita Loujain al-Hathloul recebe Prémio Vaclav Havel

Al-Hathloul, de 31 anos, esteve detida durante 1001 dias e para Conselho da Europa é "uma das líderes do movimento feminista na Arábia Saudita".

A militante feminista saudita Loujain al-Hathloul, detida no seu país durante um longo período, foi esta segunda-feira contemplada com o Prémio dos direitos humanos Vaclav Havel 2020 do Conselho da Europa, anunciou a instituição pan-europeia.

Loujain al-Hathloul, 31 anos, é apresentada pelo Conselho da Europa como "uma das líderes do movimento feminista na Arábia Saudita".

"Militou para pôr termo ao sistema de tutela masculina, contra a proibição de conduzir imposta às mulheres e ainda por uma melhor proteção das mulheres vítimas de abusos no reino", sublinha a organização pan-europeia.

Loujain al-Hathloul esteve "1.001 dias na prisão devido às suas posições e apenas foi libertada em fevereiro de 2020, sendo mantida desde então em prisão domiciliária e ainda submetida a outras restrições no seu país", acrescentou o Conselho da Europa.

A sua irmã Lina al-Hathloul, que esta segunda-feira recebeu o prémio em nome da galardoada, sublinhou por videoconferência que o apoio internacional constitui "a única forma" de expor as injustiças no país e de proteger as vítimas.

"Obrigado por darem a força para prosseguirmos o nosso combate", acrescentou.

"Loujain sacrificou-se para que as mulheres na Arábia Saudita tenham uma vida melhor. Devido ao seu ativismo foi raptada, detida ilegalmente, brutalmente torturada, colocada em isolamento durante meses, e agora é condenada como uma terrorista", recordou a sua irmã.

As duas outras finalistas do Prémio Vaclav Havel eram as freiras da ordem Drukpa, um grupo de jovens freiras budistas do Nepal, e a militante Julienne Lusenge, da República Democrática do Congo.

O Prémio Vaclav Havel, que recompensa ações consideradas excecionais da sociedade civil, foi entregue em 2019 ao intelectual uigur Ilham Tohti, em conjunto com uma iniciativa de jovens empenhados na reconciliação nos Balcãs.

Criado em 2013 e com valor pecuniário de 60.000 euros, o prémio é em princípio anunciado no outono em Estrasburgo, mas a edição de 2020 foi adiada devido à crise sanitária.

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