AstraZeneca garante que não vende doses da UE para outros países

Os atrasos nas entregas de vacinas da AstraZeneca na União Europeia motivou fortes críticas dos líderes europeus. "Fechámos acordo com o Reino Unido em junho, três meses antes do acordo com a União Europeia", lembra o presidente executivo da farmacêutica.

O presidente executivo da AstraZeneca insistiu na terça-feira que a empresa não estava a vender vacinas encomendadas pela União Europeia a outros países com lucro, depois dos atrasos nas entregas terem suscitado fortes críticas dos líderes da UE à farmacêutica.

Pascal Soriot esclareceu ainda a razão pela qual não existem problemas com o Reino Unido nas entregas, ao contrário do que acontece com a UE. "Fechámos acordo com o Reino Unido em junho, três meses antes do acordo com a União Europeia", lembrou o responsável.

A empresa admitiu na semana passada que não podia cumprir os compromissos contratuais de entrega à UE devido a constrangimentos na cadeia de abastecimento europeia.

Uma situação que levou a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, a anunciar uma "profunda insatisfação" e fez saber que a UE pretende começar a rastrear as remessas de vacinas exportadas para países terceiros, o que demonstra um sinal de crescente desconfiança.

"A União Europeia quer saber exatamente que vacinas foram produzidas pela AstraZeneca", se foram distruídas e a quem, disse a responsável europeia na segunda-feira.

Soriot tentou ontem acalmar a situação, reconhecendo que os governos europeus estavam a ficar sob pressão devido aos repetidos obstáculos em seus lançamentos de vacinas.

"A nossa equipa está a trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana para resolver os muitos problemas da produção da vacina", afirmou o presidente executivo da AstraZeneca ao jornal europeu LENA.

E enfatizou: "certamente não estamos a tirar vacinas dos europeus para vendê-las noutro lugar com lucro."

A empresa, que se associou à Universidade de Oxford para desenvolver a vacina contra o novo coronavírus, prometeu não lucrar com as vendas da vacina durante a pandemia.

A AstraZeneca está a trabalhar com Oxford para desenvolver uma vacina que visa especificamente uma variante sul-africana, que é considerada mais infecciosa, revelou Soriot.

Reino Unido teve tempo para corrigir falhas, considera a farmacêutica

Os problemas com as entregas da vacina da AstraZeneca na Europa surgiram uma semana depois da norte-americana Pfizer anunciar que também estava a reduzir os volumes de entrega antecipada da sua vacina produzida com a empresa alemã BioNTech.

Estes dois anúncios colocaram em risco a concretização dos programas de vacinação da UE e, ao mesmo tempo, aumentaram a pressão sobre a Comissão Europeia, que assumiu a tarefa de negociar os pedidos de vacinas em nome de todos os 27 Estados-membros.

Soriot recordou que o Reino Unido, antigo membro da UE - que na terça-feira manifestou confiança em receber todas as doses da vacina -, assinou o acordo com a farmacêutica três meses mais cedo do que a UE.

"Desta forma, com o Reino Unido, tivemos três meses extra para resolver todas as falhas com que nos deparamos", explicou.

Assim que a vacina tiver luz verde do regulador, AstraZeneca prevê enviar três milhões de doses para a Europa

A vacina Oxford-AstraZeneca ainda está a aguardar aprovação da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês), que deverá acontecer na reunião do regulador marcada para sexta-feira.

A empresa chegou a acordo com a Comissão Europeia para fornecer até 400 milhões de doses para a UE.

"Assim que conseguirmos a aprovação da EMA, nos próximos dias, vamos enviar pelo menos três milhões de doses imediatamente para a Europa", assegurou Soriot.

"A meta é entregar 17 milhões de doses até fevereiro", acrescentou.

A Europa está a caminho de receber 17% da produção global da AstraZeneca em fevereiro "para uma população que representa 5% da população mundial", constatou.

A vacina AstraZeneca é mais barata do que as que são produzidas pela Moderna e pela Pfizer, e também é mais fácil de distribuir, pois não precisa ser mantida em temperaturas muito baixas.

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