As três frentes de batalha de Israel: Gaza, Cisjordânia e os árabes israelitas em casa

"Ainda não acabou", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre o ataque contra o Hamas. O conflito está a alastrar-se.

Os rockets que são lançados a partir da Faixa de Gaza não são o único problema para Israel, que enfrenta também confrontos na Cisjordânia ocupada e uma violência sem precedentes entre árabes israelitas e extremistas judeus no seu território.

Israel conta oficialmente com 1,8 milhões de árabes, muçulmanos, cristãos e drusos (cerca de 20% da sua população) descendentes dos 160 mil palestinianos que não abandonaram o local onde viviam quando o Estado foi criado em 1948. Apesar de terem direito de voto, pagarem impostos e gozarem de direitos sociais, há muito que os árabes israelitas se queixam de discriminação, especialmente a nível de emprego.

Nos últimos dias, várias cidades mistas de Israel têm sido palco de confrontos entre árabes israelitas, extremistas judeus e a polícia. Na quarta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou pela primeira vez desde 1966 o estado de emergência numa comunidade árabe, Lod. Para enfrentar a escalada de violência nestas cidades, quase mil membros da polícia de fronteira (que normalmente patrulham a Cisjordânia e Jerusalém Oriental) foram chamados a reforçar a segurança. "Não vamos tolerar a anarquia", alertou Netanyahu, avisando que o envio de soldados é uma "opção".

Entretanto, há também confrontos diários entre manifestantes e o exército israelita na Cisjordânia, território palestiniano ocupado por Israel desde 1967. A violência à sexta-feira, o dia da semana sagrado para os muçulmanos, já se tornou habitual no longo conflito israelo-palestiniano, mas os combates de ontem foram dos "mais intensos" desde a segunda intifada (revolta palestiniana), que começou em 2000, disse fonte das forças de segurança à AFP. Pelo menos dez palestinianos foram mortos e mais de 150 ficaram feridos.

A falsa ofensiva terrestre

Em Gaza, continuam os bombardeamentos israelitas e os disparos de rockets palestinianos. Com o escalar da violência e o destacamento de tropas israelitas para a fronteira com Gaza, o próximo passo de Israel parece ser uma ofensiva terrestre. Logo, quando o porta-voz das Forças de Defesa Israelitas escreveu durante a noite no Twitter que as tropas "aéreas e terrestres" estavam a atacar na Faixa de Gaza, a conclusão foi que a ofensiva tinha começado.

Contudo, horas depois, alegando um "problema de comunicação interna", indicaram que afinal não tinham entrado no território. Segundo a imprensa israelita, foi tudo uma ação deliberada para enganar o Hamas. O objetivo era levar os seus operacionais a entrar na rede de túneis subterrâneos, construída após a guerra de 2014, antes de os bombardear - ao longo de 40 minutos terão sido lançados 450 mísseis contra 150 alvos. O grupo islamita armazena armas nos túneis que têm dezenas de quilómetros e que usa para se movimentar por Gaza escapando à aviação israelita.

"Eles atacaram a nossa capital, dispararam rockets contra as nossas cidades. Eles estão a pagar e vão continuar a pagar caro por isso", disse Netanyahu em relação aos ataques do Hamas. "Ainda não acabou", reiterou. Pelo menos 119 palestinianos e oito israelitas já morreram. Ontem, em vários países, houve manifestações de apoio aos palestinianos, com a União Europeia a alertar para o risco de ataques antissemitas. No Líbano, os manifestantes tentaram cruzar a fronteira com Israel, sendo recebidos com tiros. Um homem de 21 anos morreu.

susana.f.salvador@dn.pt

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