António Guterres com "esperanças desapontadas" na luta pelo planeta

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou este domingo que deixa Roma, onde terminou a cimeira do G20, com "esperanças desapontadas", após o conselho misto das principais economias do mundo na luta contra o aquecimento global.

"Saúdo o compromisso renovado do G20 a favor de soluções globais, mas deixo Roma com esperanças desapontadas - mesmo que não estejam enterradas", disse António Guterres este domingo, na rede social Twitter.

"A caminho da COP26 [26ª Cimeira da ONU para as Alterações Climatéricas] em Glasgow para manter o objetivo de 1,5 graus [o compromisso assumido pelo mundo em 2015 no Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatira da Terra em 1,5 graus Celsius até 2100]. E para construir promessas em termos financeiros e na adaptação das pessoas e do planeta", acrescentou o líder da ONU.

A COP26 arrancou este domingo na cidade escocesa e decorrerá até 12 de novembro - mais duas semanas de mais uma cimeira mais uma vez anunciada como crucial para o futuro da humanidade. Já o comunicado final do G20 reafirma o objetivo do acordo de Paris de 2015, nomeadamente em "manter o aumento médio das temperaturas bem abaixo dos 2ºC e continuar os esforços para o limitar a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais". Vai um pouco além do acordo de Paris sobre o objetivo de limitar o aquecimento global a mais 1,5ºC, com o compromisso de eliminar todo o financiamento internacional das centrais elétricas a carvão. Mas mais uma vez não há uma data clara para eliminar completamente o carvão ou os combustíveis fósseis, nem para alcançar a neutralidade de carbono.

"Fizemos um progresso razoável no G20 (...), mas não é o suficiente. Se Glasgow falhar, falha tudo", resumiu o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, cujo país foi o anfitrião do G20.

A diretora executiva da Greenpeace International, Jennifer Morgan, foi mais cáustica: "Se o G20 foi um ensaio geral para a COP26, então os líderes mundiais falharam as suas falas." Para a ativista, o comunicado do G20 é "fraco, sem ambição e visão". Outro ativista, Friederike Röder, vice-presidente da Global Citizen, lamentou: "Tudo o que vivemos foram meias medidas em vez de ações concretas".

Em contraste, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, cujo país presidiu ao G20 deste ano, que decorreu em Roma, afirmou estar "orgulhoso" dos resultados obtidos, vendo "bases bastante sólidas" para a conferência de Glasgow. "Mas temos que ter em mente que isto é apenas o início", acrescentou. "Vamos passo a passo".

Os responsáveis "negociaram toda a noite e chegaram a um resultado que é um bom sinal para Glasgow", considerou a chanceler Angela Merkel.

As decisões do G20 sobre o clima eram as mais esperadas deste encontro, que reúne as principais economias desenvolvidas (UE, Estados Unidos), mas também grandes países emergentes como a China, Rússia, Índia e o Brasil e representa 80% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.

Eles podem "ter sucesso ou enterrar a esperança de manter o objetivo de +1,5ºC ao alcance", comentou hoje, em Glasgow, o presidente da COP26, o britânico Alok Sharma, salientando que manter a meta de 15ºC "exigirá ações e compromissos significativos e eficazes de todos os países".

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