Afeganistão. Pessoal da embaixada dos EUA em Cabul transferido para aeroporto

Antony Blinken, ​​​secretário de Estado americano, confirmou que o transporte está a ser feito com urgência.

Funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Cabul, no Afeganistão, foram transferidos com urgência para o aeroporto da capital afegã, para onde milhares de soldados norte-americanos foram enviados, disse este domingo o secretário de Estado Antony Blinken.

"Estamos a transferir os homens e mulheres da nossa embaixada para o aeroporto. Esta é a razão pela qual o presidente enviou muitas forças armadas", disse Blinken ao canal ABC, numa altura em que os talibãs estão às portas de Cabul.

O movimento islâmico radical deverá retornar ao poder, 20 anos depois de ser derrubado por uma coligação liderada pelos Estados Unidos pela sua recusa em entregar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, após os ataques de 11 de setembro de 2001.

O secretário de Estado norte-americano rejeitou qualquer comparação entre a situação em Cabul e a queda de Saigão, no Vietname, no final da guerra, em 1975, reafirmando que os Estados Unidos "alcançaram os objetivos" da guerra no Afeganistão.

"Fizemos justiça a Bin Laden há dez anos", disse Blinken.

"Isto não é Saigão", disse o secretário de Estado dos Estados Unidos à CNN, citado pelas agências internacionais.

"Fomos ao Afeganistão há 20 anos com uma missão e essa missão era acertar as contas com aqueles que nos atacaram em 11 de setembro. Cumprimos essa missão", sublinhou.

Mas, ficar no Afeganistão indefinidamente "não é do nosso interesse nacional", disse Blinken, lembrando que os Estados Unidos agora querem conter a política agressiva da China no Pacífico.

"Não há nada que os nossos concorrentes estratégicos gostariam mais do que ver-nos atolados no Afeganistão por mais 5, 10 ou 20 anos", disse.

Porém, quando pensamos nas mulheres e meninas que viram as suas vidas progredir "durante os 20 anos de presença americana no Afeganistão, é doloroso", sublinhou.

Além dos Estados Unidos, também outros países anunciaram que vão acelerar o plano de evacuação das embaixadas em Cabul, como a Alemanha, Suécia e Espanha.

A Alemanha anunciou hoje que transferiu os seus funcionários da embaixada e funcionários locais para o aeroporto de Cabul, aguardando uma evacuação segura em aviões militares e enquanto a Suécia e outros países nórdicos esperam concluir essa operação hoje, avança a agência EFE.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, relatou a transferência de pessoal diplomático e de outros funcionários para o aeroporto militar, bem como o encerramento da embaixada.

Os preparativos para a evacuação foram apressados hoje, tanto pela Alemanha como pela Suécia, que espera concluir a operação até final do dia. A Dinamarca e a Noruega já anunciaram na sexta-feira o encerramento das suas embaixadas em Cabul, capital do Afeganistão.

A Alemanha concluiu em junho a retirada das suas tropas no Afeganistão, que formavam o segundo maior contingente internacional daquele país, depois dos Estados Unidos e cuja sede era em Mazar-e-Sharif, no norte do país, que no sábado ficou sob o poder dos talibãs.

Também Espanha anunciou que vai acelerar o plano de evacuação do Afeganistão de todo o pessoal da sua embaixada, uma dúzia de trabalhadores e várias centenas de afegãos que colaboraram durante missões militares e projetos de cooperação espanhola, indicaram fontes diplomáticas à EFE.

Já a Rússia não planeia evacuar o pessoal da sua embaixada em Cabul, enquanto os talibãs estiverem à porta da capital afegã, disse hoje um alto funcionário russo.

"Nenhuma evacuação está planeada", disse Zamir Kabulov, o enviado do Kremlin ao Afeganistão, citado pela agência Interfax, enfatizando que estava "em contacto direto" com o embaixador russo em Cabul, cujos colaboradores continuaram a trabalhar "calmos" na embaixada.

O presidente Ashraf Ghani abandonou hoje o Afeganistão, segundo informações avançadas pelo ex-vice-presidente do país Abdullah Abdullah e por dois responsáveis das autoridades afegãs.

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