Exclusivo A guerra do Nobel da Paz: "O cessar-fogo no Tigré é um eufemismo"

Abiy Ahmed, galardoado pelo comité norueguês em 2019 por ter feito a paz com a Eritreia, perdeu o controlo da capital da região no norte do país, conquistada em novembro. O antropólogo Manuel João Ramos, especialista na região, explicou ao DN o que está a acontecer.

Sete meses depois de as forças etíopes terem expulsado os rebeldes tigrínios da capital do Tigray (ou Tigré), no norte do país, estes reconquistaram o controlo de Mekelle e de quase toda a região. O governo de Abiy Ahmed alegou primeiro que tinha decretado um cessar-fogo e depois que a cidade não era assim tão importante no cenário global. Independentemente de qual é o cenário político, milhares de pessoas já terão morrido (há quem fale em 50 mil), mais de dois milhões já fugiram e 400 mil, segundo as Nações Unidas, enfrentam a fome.

"O cessar-fogo no Tigré é um eufemismo", disse ao DN o professor Manuel João Ramos, investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL e antropólogo com grande conhecimento da Etiópia. "Usaram a expressão para não admitir que os objetivos militares e políticos a que se tinham proposto falharam completamente", acrescentou, lembrando que é importante ter em conta que a contraofensiva das forças leais à Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF, na sigla em inglês) acontece depois das eleições (ainda não se sabem os resultados) e antes do início da época das chuvas, quando os rios enchem e os movimentos militares ou outros se tornam extremamente difíceis.

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