31 mortos em explosões num quartel na Guiné Equatorial

O balanço provisório do acidente fala também em 600 feridos. Autoridades portuguesas apresentam condolências.

Os cadáveres de dez pessoas foram retirados esta segunda-feira dos escombros provocados pelas explosões de domingo num quartel militar na cidade de Bata, Guiné Equatorial, elevando para 31 mortos e 600 feridos o balanço provisório do acidente.

A informação está a ser avançada pela televisão estatal TVGE e pelo jornal AhoraEG, mas não foi confirmada oficialmente pelas autoridades, que no domingo falavam em 20 mortos e 600 feridos.

"Dez corpos foram removidos dos escombros esta manhã pelas equipas de salvamento, que retomaram as buscas", disse um jornalista da TVGE. Três crianças de 3 e 4 anos foram também retiradas vivas das ruínas de casas e levadas para o hospital. As explosões devastaram literalmente os edifícios do campo militar que albergava as forças especiais da Unidade de Intervenção Rápida de Nkuantoma e foram causadas, segundo as autoridades, por um incêndio que alastrou dos terrenos circundantes para dentro do quartel, segundo a mesma fonte.

"O meu tio, um oficial do campo, telefonou-nos para dizer que tinha encontrado os corpos de cinco membros da sua família que tinham sido completamente queimados", disse, sob anonimato, um residente de Bata contactado por telefone pela agência France-Presse (AFP) "As casas continuaram a arder e ainda ouvimos pequenas explosões", adianytou um outro residente contactado por telefone à AFP. "Todos os habitantes dos bairros num raio de dois a quatro quilómetros do local das explosões não puderam regressar", a casa, acrescentou ainda.

Fonte de um movimento da sociedade civil da Guiné Equatorial disse à agência Lusa que durante a manhã de segunda-feira as pessoas dos bairros vizinhos do quartel estão a ser retiradas para a praia por receios de novas explosões.

Informação confirmada pelo partido opositor Convergência para a Democracia Social (CPDS) que, em comunicado, adiantou que a partir das 09:00 horas de desta quarta-feira (08:00 horas em Lisboa), os militares ordenaram a evacuação do distrito de Nkolombong, a zona mais povoada da cidade de Bata e adjacente a Nkuantoma, onde ocorreu a catástrofe. "Os residentes estão a ser mandados imediatamente para outras áreas da cidade e multidões de pessoas correm em pânico nas ruas sem qualquer direção", adianta o CPDS.

O partido classifica ainda o ocorrido como "a maior catástrofe humanitária da história da Guiné Equatorial" e lamenta que "oito longas horas após a catástrofe" não tenha havido "qualquer representante do governo para informar o povo" e que o chefe de Estado, Teodoro Obiang, "se tenha limitado a enviar uma declaração aos meios de comunicação social".

Portugal manifestou esta quarta-feira solidariedade ao Governo da Guiné Equatorial na sequência das explosões de domingo.

"O governo português apresenta as mais sentidas condolências aos familiares das vítimas dos trágicos acontecimentos ocorridos em Bata, na sequência das violentas explosões em depósitos de armamento", refere, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiro. "Expressamos todo o apoio e solidariedade ao Governo da Guiné Equatorial neste momento tão difícil", acrescentou.

O Presidente, Teodoro Obiang Nguema, que governa este país da África Central há quase 42 anos, acusou agricultores das redondezas de terem permitido a propagação para o quartel de queimadas mal controladas, considerando que os soldados que estavam a guardar o arsenal foram "negligentes". Casas e edifícios ao redor do quartel ficaram completamente destruídos e enormes blocos de betão foram projetados pelas ruas a centenas de metros, de acordo com imagens da estação de televisão estatal TVGE.

O Ministério da Defesa adiantou que foi aberta uma investigação para apurar as causas deste "trágico e lamentável" acontecimento. O chefe de Estado lançou "um apelo à comunidade internacional para apoiar a Guiné Equatorial nestes momentos tornados ainda mais difíceis pela combinação da crise económica, devido à queda dos preços do petróleo, e da pandemia de covid-19".

A agência Lusa questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre se, enquanto parceiro da CPLP, Portugal iria responder ao apelo das autoridades da Guiné Equatorial.

"O apoio à Guiné Equatorial será equacionado em coordenação com a comunidade internacional, nomeadamente no quadro das Nações Unidas e da União Europeia", disse o MNE, por email.

De acordo com a mesma informação, o MNE tem "estado a acompanhar a evolução da situação" na Guiné Equatorial, através missão diplomática portuguesa em Malabo, para obter mais informações, "designadamente sobre as necessidades no terreno" após a explosão ocorrida ontem em Bata.

O embaixador da Guiné Equatorial em Lisboa disse ter pedido formalmente ajuda de emergência a Portugal e aos restantes membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

"Formalizei esta manhã o pedido de ajuda ao secretário-executivo e a todos os países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa [CPLP]. Formalizei também o pedido de ajuda a Portugal, tanto ao nível da Presidência da República, como do Governo", disse Tito Mba Ada à agência Lusa.

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