"Quatro ou cinco portugueses" aguardam sair do Afeganistão no aeroporto de Cabul

Os cidadãos portugueses estão a ser acompanhados e aguardam sair do país em segurança.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou esta segunda-feira que dos 16 civis portugueses que estavam no Afeganistão, 12 já saíram do país e quatro continuam em funções operacionais no aeroporto de Cabul.

Doze portugueses "já foram retirados, a grande maioria trabalhava para a segurança da delegação da União Europeia" em Cabul, explicou à Lusa, adiantando que "falta retirar alguns portugueses que ainda estão em atividade operacional no aeroporto".

Sublinhando que Portugal não tem, "neste momento, nenhum motivo de preocupação com essa dimensão de portugueses civis que ainda estão em Cabul", Santos Silva garantiu que os que ainda estão naquele país "serão retirados proximamente, à medida que as atividades de controlo do tráfego aéreo no aeroporto de Cabul deixarem de ser responsabilidade da comunidade internacional".

Portugal está ainda, de acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros, a fazer uma identificação dos afegãos que colaboraram com a comunidade internacional e que, "portanto, possam correr risco de vida ou de segurança".

Já esta manhã, Berta Nunes, secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, apontava para a existência de "quatro ou cinco portugueses" no aeroporto de Cabul, no Afeganistão, que aguardavam sair do país.

Em declarações à TVI, a secretária de Estado revelou que os portugueses que ainda se encontram no país estão "enquadrados" em empresas de segurança ligadas ao aeroporto de Cabul e preparam-se para regressar em segurança num dos voos militares que estão a tratar da retirada de cidadãos estrangeiros.

Berta Nunes garantiu que "de momento está tudo bem por parte da comunidade portuguesa", não existindo "informação de qualquer problema" até ao momento, e que os cidadãos vão continuar a ser acompanhados. "Ontem o nosso embaixador em Islamabad, que está a acompanhar a situação no Afeganistão, teve oportunidade de falar com uma dessas pessoas que está no aeroporto e estava tudo bem. Esse acompanhamento vai continuar a ser feito", concluiu.

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, afirmou no domingo que Portugal vai integrar a operação da União Europeia e da NATO para proteger cidadãos no Afeganistão e está disponível para receber afegãos.

Segundo Gomes Cravinho, o número de refugiados a receber em Portugal ainda está a ser avaliado, mas a força portuguesa destacada no país nos últimos anos somava "243 funcionários afegãos, mais as suas famílias".

Com este cenário, declarou, existem "cerca de mil pessoas que precisarão de sair do país".

Augusto Santos Silva referiu à Lusa que esse trabalho de identificação e ajuda aos colaboradores está a decorrer e lembrou que, "hoje, haverá uma reunião em Bruxelas ao nível dos embaixadores, no comité de política de segurança", na qual a questão deverá ser debatida.

A situação no Afeganistão será ainda debatida na terça-feira numa reunião extraordinária dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, na qual Portugal será representado pela secretária de Estado dos Assuntos Europeus, já que Santos Silva está atualmente de férias.

Depois de várias ofensivas iniciadas em maio deste ano, na sequência do anúncio dos Estados Unidos da retirada final dos seus militares do Afeganistão, os talibãs conquistaram no domingo a última das grandes cidades que ainda não estavam sob seu poder -- a capital, Cabul -, tendo hoje declarado o fim da guerra no Afeganistão e a sua vitória.

O Presidente afegão, Ashraf Ghani, abandonou o país no domingo, quando os talibãs estavam às portas da capital, enquanto os líderes do movimento radical islâmico se apoderavam do palácio presidencial.

A entrada das forças talibãs em Cabul pôs fim a uma campanha militar de duas décadas liderada pelos Estados Unidos e apoiada pelos seus aliados, incluindo Portugal.

As forças de segurança afegãs, treinadas pelos militares estrangeiros, colapsaram antes da entrada dos talibãs na cidade de Cabul.

Milhares de afegãos, em Cabul, tentam fugir do país e muitos dirigiram-se para o aeroporto internacional onde a situação é caótica.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG