Venezuela defende pedido de desculpa de países europeus

O Governo venezuelano congratulou-se com a postura "firme" da Organização de Estados Americanos (OEA) que condenou o incidente na Europa com o Presidente boliviano, Evo Morales.

"Saudamos a posição firme de toda a América Latina e Caraíbas na OEA e continuamos a exigir um pedido de desculpa público dos governos de Portugal, França, Espanha e Itália ao Presidente Evo Morales e ao povo boliviano, é o mínimo", disse na terça-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Elías Jaua, em entrevista ao canal Telesur.

Para Jaua, nenhum destes países europeus "apresentou uma justificação clara, pelo contrário, apresentaram argumentos absolutamente infantis".

"Devem desculpar-se publicamente para poderem superar este incidente e esta discórdia entre a América Latina e a Europa", acrescentou.

A OEA aprovou na terça-feira uma resolução em que condena o incidente com Morales e apela para que Portugal, França, Itália e Espanha apresentem explicações e peçam desculpa.

Os Estados Unidos e o Canadá foram os únicos membros da OEA a manifestar a sua oposição à resolução, considerando que as circunstâncias do incidente diplomático com Evo Morales ainda não foram esclarecidas e que o assunto deverá ser tratado a nível bilateral entre a Bolívia e cada um dos países europeus.

No dia 02 de julho, Morales permaneceu 13 horas no aeroporto de Viena perante a recusa de França, Itália e Portugal de permitirem o seu avião de atravessar os respetivos territórios por suspeitarem que transportava o ex-técnico da CIA Edward Snowden, reclamado pelos Estados Unidos e acusado de violar a lei de espionagem norte-americana.

Morales acusou ainda Espanha de ter revogado a autorização inicialmente concedida para o seu avião sobrevoar o território espanhol e de tentar, através do embaixador espanhol em Viena, inspecionar o avião presidencial boliviano.

O Governo espanhol negou que Espanha tivesse proibido o sobrevoo e afirmou que não tem qualquer problema em pedir desculpa se houve um mal-entendido.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, afirmou na terça-feira no Parlamento que o seu Governo autorizou "atempadamente" o sobrevoo em território nacional do Presidente da Bolívia.

"Portugal autorizou o sobrevoo do Falcon do Presidente Morales no território nacional. Não só autorizou como na verdade o avião do Presidente Morales passou no espaço aéreo português, entrou na zona do Alentejo, até ao espaço aéreo de Porto Santo", referiu Paulo Portas.

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