Vaticano tarda a creditar novo embaixador francês que é gay

É um tema que está a causar algum embaraço em Paris e na Santa Sé. O posto de embaixador de França junto do Vaticano está vago desde o início de março.

A escolha efectuada pelo governo de Paris pode não ser totalmente do agrado do Vaticano, ainda que o nome designado, Laurent Stefanini, já tenha sido número dois da embaixada entre 2001 e 2005. A razão deste atraso coloca-se, para jornais franceses, como Le Monde e o Libération, no facto do diplomata se declarar abertamente homossexual. Para os citados diários esta poderia a razão principal para a demora na creditação, já que o nome de Stefanini foi comunicado ao Papa Francisco no início de fevereiro pelo embaixador cessante, Bruno Joubert.

Stefanini era atualmente chefe de protocolo do Eliseu e é conhecida a sua especialização em questões ambientais e teria sido a ligação a este a determinar a sua escolha para o Vaticano num ano em que se prepara uma cimeira mundial sobre o ambiente, a realizar em dezembro em Paris. O presidente François Hollande está a apostar fortemente na sua realização e espera ter um aliado em Francisco, que já se manifestou várias vezes, em termos veementes, sobre as questões ambientais, escrevia a edição italiana do Vatican Insider, quando em fevereiro foi conhecido o nome do sucessor de Joubert.

O embaixador nomeado, de 55 anos, solteiro e sem filhos, afirma-se como católico praticante, adepto das virtudes cristãs, escrevia ontem o Le Monde, que estranhava a demora na confirmação do nome de Stefanini.

A igreja católica não condena as orientações homossexuais e o próprio Papa Francisco já criticou, em julho de 2013 no regresso da viagem do Brasil, atos de discriminação contra homossexuais. O que é condenado é a prática de atos homossexuais.

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