"Um bom começo" para os dissidentes chineses

A responsável pelo Grupo da China da Aministia Internacional (AI) em Portugal, Teresa Nogueira, considerou hoje que a atribuição do prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo representa "um bom começo" para os dissidentes chineses.

"Trata-se de um excelente passo sob o ponto de vista dos direitos humanos e um sinal de que a China não poderá continuar a fazer ouvidos moucos aos apelos que são feitos sobre as pessoas que mantém presas", declarou Teresa Nogueira, numa reacção à atribuição do prémio Nobel da Paz ao dissidente chinês Liu Xiaobo.

É "uma chamada de atenção" para a defesa dos direitos humanos, disse.

"Penso que o prémio irá beneficiar o próprio Liu Xiaobo pois, sempre que há uma chamada de atenção de fora da China ou se verifica o aumento dos apelos de organizações não governamentais, os chineses melhoram as condições dos seus presos", frisou Teresa Nogueira.

Em declarações à Lusa, a responsável pelo grupo coordenador da China em Portugal criticou a actuação da generalidade dos países do Ocidente, que tendem a "curvar a cabeça" perante a China.

"Ao atribuírem este prémio, estão a dar um sinal muito importante de que não receiam mais as ameaças da China e que defendem as suas ideias", interpretou a coordenadora, sublinhando que o governo de Pequim tende a recuar "quando tem uma posição firme pela frente".

Em relação a Liu Xiaobo, Teresa Nogueira recordou que o intelectual participou nos protestos de Tiananmen, tendo sido detido nessa manifestação, além de ter assinado a «Carta 08» -- publicada por ocasião do 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos --, na qual é exigida a libertação política da China, liberdade e democracia.

"Esta carta foi posta a circular na Internet e, no dia seguinte, Liu Xiaobo foi detido", explicou a responsável, destacando o impacto da missiva, sobretudo junto dos intelectuais.

Sobre os dissidentes chineses que se encontram detidos, à semelhança do agora galardoado Nobel da Paz, Teresa Nogueira disse que "têm uma coragem extraordinária" e, mesmo cientes das represálias que podem sofrer, "jamais se calam".

"O prémio é, pois, um bom começo para esta causa", concluiu.

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