Saleh parte para os EUA no meio de protestos

Milhares de pessoas pediram hoje a execução de Ali Abdallah Saleh, protestando contra a lei que garante "imunidade total" ao contestado presidente iemenita. Saleh partiu para os EUA para receber assistência médica.

"O presidente Saleh deixou Sanaa", afirmou uma fonte presidencial à AFP. Horas antes, o próprio tinha anunciado que iria para os EUA num discurso de adeus aos seus compatriotas, pedindo "perdão" pelos erros que tenha cometido em 33 anos no poder. Antes de seguir para os EUA, Saleh passou por Omã.

"É nosso dever executar o tirano", "O povo iemenita decidiu, Saleh deve ser executado", gritavam os manifestantes que saíram da praça onde estavam acampados há cerca de um ano e tentaram dirigir-se à embaixada dos Estados Unidos da América, tendo sido impedidos pelas forças de segurança.

"Aos deputados: nenhuma imunidade à custa do nosso sangue", podia ler-se numa faixa empunhada pelos manifestantes.

O parlamento do Iémen aprovou sábado, por unanimidade, um projecto de lei que concede imunidade total a Ali Abdalá Saleh e parcial aos seus colaboradores, impedindo que o contestado presidente possa ser julgado relativamente a assuntos políticos.

A imunidade ao presidente e aos seus colaboradores está prevista no acordo sobre a transição política no Iémen, concluído a 23 de novembro em Riade, Arábia Saudita, tendo como contrapartida a saída de Saleh do poder, após as eleições presidenciais antecipadas de 21 de fevereiro.

O parlamento aprovou também o nome do vice-presidente, Abdo Rabu Mansur Hadi, como candidato às próximas eleições presidenciais, cumprindo uma exigência da constituição do Iémen.

O enviado das Nações Unidas para o Iémen, Jamal Benomar, criticou sábado à noite a lei, sublinhando o direito das vítimas a que se faça justiça.

"A lei foi modificada[...] mas ficou abaixo das nossas expectativas. A ONU tem uma posição de princípio contra este tipo de imunidade absoluta", adiantou em conferência de imprensa.

Jamal Benomar apelou à promulgação de "uma lei sobre justiça e reconciliação" que permita "às vítimas reclamarem as suas compensações".

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