Resolução sobre armas sírias no Conselho de Segurança

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá votar já esta sexta-feira uma resolução sobre o desarmamento do arsenal químico do regime sírio, segundo diplomatas.

A votação foi anunciada pela Rússia e pelos Estados Unidos depois de terem chegado a um acordo que desbloqueia as negociações no Conselho de Segurança e partilhado já com os restantes membros do organismo.

O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse, esta quinta-feira, aos jornalistas que Moscovo e Washington apresentaram um texto ao Conselho de Segurança e que a votação será "talvez amanhã à noite".

A embaixadora norte-americana, Samantha Power, confirmou o acordo para destravar pela primeira vez as negociações desde que começou o conflito sírio, há mais de dois anos e meio.

"Temos finalmente um projeto de resolução em cima da mesa após duas semanas intensas de negociações diplomáticas", realçou a embaixadora, ao informar que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW, na sigla em inglês), realiza, esta sexta-feira, uma votação antes da do Conselho.

A embaixadora precisou ainda que a resolução obrigará o regime sírio a permitir à OPCW e ao Conselho o acesso aos seus arsenais para que se processa à sua inspeção e, posterior, desmantelamento.

A missão francesa junto das Nações Unidas também tinha adiantado, na sua conta de Twitter, que a votação se realizaria "muito provavelmente" na noite de sexta-feira.

Os 15 membros do Conselho de Segurança realizaram, esta quinta-feira, uma ronda de consultas informais à porta fechada para abordar o conflito na Síria, num encontro que foi convocado depois de Estados Unidos e Rússia terem alcançado um acordo sobre o projeto de resolução, segundo confirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

O embaixador britânico, Mark Lyall Grant, disse que os membros permanentes do Conselho tinham acordado um texto "vinculativo" para eliminar o arsenal químico sírio.

Lyall Grant também demonstrou estar confiante que este avanço possa ajudar a obter progressos para fim negociado do conflito, já que, disse, "não pode haver uma solução militar".

Os Estados Unidos, com o apoio da França e Reino Unidos, propuseram um texto em que era invocado o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas que abria a porta a sanções e inclusive ao uso da força.

No entanto, a Rússia, tradicional aliado do regime sírio, e a China opuseram-se a apoiar uma resolução que servisse de justificação ao lançamento de uma intervenção militar.

No final, vingou um texto em que não se descarta a possibilidade de invocar esse Capítulo, a qual fica, contudo, sujeita à aprovação de uma nova resolução da ONU.

O conflito na Síria figura como um dos principais temas de discussão no âmbito das sessões da 68.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Esta quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, esteve reunido com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos cinco países com poder de veto no Conselho (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido).

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