Presumível assassino de "American Sniper" regressou paranoico do Iraque

A mãe do ex-soldado que está a ser julgado pela morte de Chris Kyle, o 'sniper' mais letal dos Estados Unidos, afirma que o filho voltou do Iraque com stress pós-traumático.

Eddie Routh, presumível assassino de Chris Kyle, o atirador furtivo no qual é inspirado o filme American Sniper, regressou paranoico e alterado da sua missão na guerra do Iraque, declarou, esta terça-feira, a sua mãe, no julgamento contra o filho que decorre em Stephenville, no Texas.

"Ele já não era feliz e despreocupado como sempre foi. Voltou muito mais sério", disse Jodi Routh, afirmando que o seu filho "estava muito atento ao que ocorria à sua volta" e "era muito cauteloso com as pessoas".

Jodi Routh explicou na sua declaração que foi ela quem solicitou a Kyle que ajudasse o seu filho, que sofria de stress pós-traumático após ter servido no Iraque e no Haiti.

"O Chris disse-me que sabia aquilo que Eddie estava a passar. Disse-me que ele também sofria de stress pós-traumático e que gostaria de fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para o ajudar", assegurou.

Kyle dedicava-se a ajudar veteranos de guerra como Routh a reintegrarem-se na vida civil.

Apesar de ser ela quem pediu ajuda, a mulher assegurou não saber que Kyle e o seu amigo Chad Littlefield iam levar o seu filho Routh a um campo de tiro no dia 02 de fevereiro de 2013, onde ambos foram assassinados.

Jodi Routh garantiu que, meses antes dos assassínios, escondeu as armas que tinha em casa após uma discussão em que o seu filho ameaçou suicidar-se.

Durante a sessão de terça-feira, a quinta desde o início do julgamento, a acusação divulgou a conversa que Routh manteve no carro-patrulha com o oficial da polícia que o deteve.

"Você está bem soldado?", questionou o oficial, ao que Routh respondeu: "Tenho estado muito paranoico e esquizofrénico hoje. Não sei o que pensar. Não sei se estou louco".

Os advogados de Routh, Warren St. John e Tim Moore, procuram a absolvição do ex-soldado ao argumentar que quando matou Kyle e Littlefield não estava consciente dos seus atos.

Kyle, que cumpriu serviço no Iraque nos Navy Seals, a unidade de elite da martinha norte-americana, é apontado como o franco-atirador mais letal da história dos Estados Unidos, com 160 mortes confirmadas oficialmente, embora afirmasse que foram 255.

A insurgência iraquiana apelidou-o de "o diabo de Ramadi" - em referência a uma das cidades em que combateu - e colocou a sua cabeça a prémio.

O julgamento coincide com o êxito do filme American Sniper, inspirado em Kyle, realizado por Clint Eastwood, que tem batido recordes desde a sua estreia e está nomeado para seis Óscares.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG