Os media e as ditaduras

As mudanças operadas nos media do Egipto e da Tunísia desde a queda dos regimes de Mubarak e Ben Ali "não devem ser dadas como adquiridas" escreve The New York Times.

"Os ditadores consideram uma prioridade o controlo dos meios de informação por uma boa razão. Na maioria dos Estados autoritários, os meios de comunicação, em especial a televisão, ajudaram os líderes políticos a permanecerem no poder, ao criarem uma realidade paralelo para as suas populações e ao privarem qualquer oposição de audiências mais vastas."

"No Egipto, mais de 46 mil pessoas trabalhavam nos meios de comunicação oficial, que continuam a controlar todas as emissões televisivas que não sejam de satélite (...). E em 2007 um estudo concluiu que 72% dos egípcios ouvia a televisão estatal como principal fonte de notícias."

"O Estado continua a controlar 99% das editoras de jornais (...) e o principal jornal oficial, Al Ahram, reivindica uma circulação de mais de um milhão de exemplares".

"As revoluções materializam-se quando um número suficiente de pessoas decide ignorar os media oficiais, vem para as ruas e dá o seu apoio aos manifestantes que já lá estão, como sucedeu na Praça Tahir. Mas o Egipto foi uma excepção."

"As mudanças verificadas no Egipto e na Tunísia não devem ser consideradas como irreversíveis. Transformar as rádios e televisões sob controlo político em instituições mais transparentes e democráticas é um processo longo e complexo. Não se deve esquecer que a grande maioria da população em Estados autoritários - da Líbia à Síria, da Rússia à China - continua a consumir uma versão da realidade transmitida pelas televisões sob controlo estatal."

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