Os dois heróis da resistência grega que afrontam Tsipras

Eurodeputado e compositor, de 92 e 89 anos, encarnam críticas internas ao acordo obtido no dia 20 entre o governo da Grécia e os seus parceiros do Eurogrupo

Demoraram pouco a aparecer as críticas internas ao acordo alcançado há uma semana entre a Grécia e os parceiros do Eurogrupo. A liderá-las dois históricos da resistência e da esquerda grega: Manolis Glezos e Mikis Theodorakis.

"Peço desculpa ao povo grego por ter participado nesta ilusão", escreveu no domingo passado no seu blogue Manolis Glezos, eurodeputado eleito pelo Syriza, de 92 anos, que, aos 18, subiu à Acrópole de Atenas para daí tirar a bandeira nazi.

"A mudança de nome de 'troika' para instituições, de memorando [de entendimento] para acordo e de credores para parceiros não altera a realidade anterior", disse Glezos, pedindo a todos os membros e simpatizantes do governo de coligação encabeçado pelo Syriza que decidam "em reuniões extraordinárias a todos os níveis da organização" se aceitam a decisão do executivo de Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis.

Horas depois era a vez de um outro histórico da resistência grega lançar um apelo ao novo primeiro--ministro Alexis Tsipras. "[Deve] abolir todas as medidas relacionadas com o memorando [da troika] e restaurar a independência nacional", afirmou Mikis Theodorakis, famoso compositor grego de 89 anos, num texto colocado no seu site e citado por agências internacionais.

"Ainda há esperança. E essa é a de que os dirigentes do Syriza encontrem força para dizer, mesmo agora, "Não" aos Nein de Schäuble", prosseguiu o compositor, referindo-se ao intransigente ministro das Finanças da Alemanha.

No dia seguinte, terça-feira, data em que o Eurogrupo aprovou o plano de reformas que os gregos prometeram fazer em troca de uma extensão de quatro meses do programa de assistência financeira, Tsipras visitou Theodorakis na sua casa, que tem vista para a Acrópole.

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