O 1.º encontro entre os líderes da China e do Japão em quase três anos

O presidente chinês, Xi Jinping, exortou hoje o Japão a "adotar prudentes políticas militares e de segurança", no primeiro encontro entre os líderes dos dois países em quase três anos.

"A China espera que o Japão continue a seguir a via do desenvolvimento pacífico e adote prudentes políticas militares e de segurança", disse Xi Jinping ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, segundo o relato da agência noticiosa oficial Xinhua.

Xi e Abe encontraram-se hoje em Pequim, à margem da Cimeira anual do fórum APEC (Cooperação Económica Asia-Pacifico), que decorre até terça-feira com a participação dos líderes de 21 países e regiões do anel do Pacifico.

O primeiro-ministro japonês disse aos jornalistas que a cimeira com foi o "primeiro passo" para melhorar as relações entre as duas maiores economias da Ásia.

Dezenas de manifestações contra o Japão agitaram a China em 2012, devido à decisão do governo de Tóquio de "nacionalizar" as ilhas Senkaku (Diaoyu Dao, em chinês), que Pequim considera parte do território.

O encontro de hoje, que durou cerca de meia hora, foi também o primeiro entre os dois estadistas desde que ambos assumiram os atuais cargos, há cerca de dois anos, e segundo tem referido a imprensa chinesa, "realizou-se a pedido" do Japão.

Xi Jinping exortou as autoridades japonesas a "fazer mais para ajudar a aumentar a confiança entre o Japão e os seus vizinhos e a desempenhar um papel construtivo na salvaguarda da paz e estabilidade regionais", disse a Xinhua.

No passado fim de semana, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países acordaram "restaurar o diálogo politico, diplomático e de segurança, reconhecendo ao mesmo tempo que mantêm posições diferentes acerca das ilhas Diaoyu".

Trata-se de um pequeno e desabitado arquipélago do Mar da China Oriental, com uma localização estratégica e potencialmente rico em recursos naturais, cuja soberania é reivindicada pelos dois países.

A disputa reavivou a memória da ocupação japonesa da China, entre 1937 e 1945, que, segundo estimativas chinesas, causou de 35 milhões de mortos.

A questão da História "tem a ver com o sentimento nacional de 1.300 milhões de chineses", afirmou Xi Jinping.

Abe disse estar disposto a "melhorar as relações bilaterais", encarando o desenvolvimento da China como "uma significativa oportunidade para o Japão e o mundo", indicou a Xinhua.

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