Nove detidos no âmbito do inquérito ao ataque ao "Charlie Hebdo". Caça ao homem prossegue

O ministro do Interior francês anunciou, ao final da tarde, que há nove pessoas detidas e que foram interrogadas cerca de 90 testemunhas. As autoridades continuam à procura de dois suspeitos.

As buscas iniciaram-se ainda de manhã, quando dois suspeitos do ataque ao jornal "Charlie Hebdo" foram reconhecidos numa estação de serviço onde pararam para roubar mantimentos e combustível. Desde então, a região de Picardie, no nordeste de Paris, está com alerta para atentado e debaixo de uma grande aparato policial, que tenta encontrar os irmãos Chérif e Saïd Kouachi.

De acordo com o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, que deu uma conferência de imprensa ao final da tarde de hoje, Saïd Kouachi, um dos suspeitos do ataque de ontem ao jornal satírico "Charlie Hebdo", "foi formalmente reconhecido numa fotografia como o agressor". O governante confirmou que o seu bilhete de identidade foi encontrado no Citroën preto abandonado ontem pelos atacantes, após o ataque.

O ministro do Interior francês disse ainda que este suspeito vive em Reims, está desempregado e nunca foi procurado ou condenado, mas aparecia ligado aos negócios do irmão, um jihadista conhecido das forças antiterrorismo.

O governante afirmou também que desde ontem foram recolhidos depoimentos de mais de 90 testemunhas das centenas que contactaram as autoridades e que há, neste momento, nove pessoas detidas no âmbito do inquérito ao ataque ao jornal satírico francês.

Bernard Cazeneuve reforçou que, até ao momento, não há indícios de ligação entre o ataque de ontem e o desta manhã, que resultou na morte de uma polícia e em ferimentos num outro agente. No entanto, o ministro defendeu que os dois episódios que "atacaram a liberdade de imprensa e as forças policiais devem suscitar uma condenação geral e uma reação de extrema firmeza".

Cazeneuve condenou ainda a profanação de lugares de culto muçulmanos, depois do ataque a várias mesquitas desde que o "Charles Hebdo" foi atacado. "Não toleraremos nenhum ato, nenhuma ameaça contra um lgar de culto. Os autores desses atos deverão saber que serão procurados, travados e punidos", disse.

De acordo com o ministério do Interior, em todo o território estão mobilizados 88 mil efetivos das várias forças policiais - nomeadamente polícia, gendarmes (equivalentes à nossa GNR) e militares - na caça aos suspeitos.

O norte de França está no mais elevado nível de alerta. As autoridades emitiram um aviso de alerta para atentado na região de Picardie, que faz fronteira com a Bélgica, onde alegadamente se encontram os dois suspeitos do ataque de ontem ao jornal satírico "Charlie Hebdo", que fez 12 mortos.

Em várias cidades dessa região, há forte dispositivo policial e as estradas estão encerradas. As buscas estiveram concentradas em três locais, nomeadamente, em Vauciennes, perto de uma estação de serviço; no centro de Crépy-e-Valois; e numa fazenda de Longpont. Ao fim da noite, as autoridades debandaram de Longpont sem terem feito qualquer detenção.

O "Charlie Hebdo" está garantido nas bancas na próxima quarta-feira, com um reforço de tiragem de um milhão de exemplares. Vários orgãos de comunicação ofereceram meios e mão-de-obra, mas será no Liberation que a primeira edição após ataque será feita.

A ministra da Cultura manifestou já vontade de desbloquear um milhão de euros para garantir o futuro da publicação.

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