Netanyahu: Acordo de Genebra é "erro histórico"

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, considerou hoje o acordo de Genebra sobre o programa nuclear iraniano um "erro histórico" que torna "o mundo mais perigoso".

"O que se concluiu em Genebra não é um acordo histórico, mas um erro histórico", afirmou Netanyahu em declarações aos jornalistas antes de entrar para o Conselho de ministros.

"O mundo tornou-se mais perigoso porque o regime mais perigoso do mundo deu um passo significativo no caminho para a obtenção da arma mais perigosa do mundo", referiu.

"Israel não está ligada e este acordo", advertiu o primeiro-ministro israelita, assegurando que o "regime iraniano se comprometeu a destruir Israel".

"Israel tem o direito e o dever de se defender face a qualquer ameaça e proclamo em nome do governo que Israel não deixará o Irão dotar-se de capacidades militares nucleares", insistiu Netanyahu.

"As grandes potências mundiais aceitaram pela primeira vez que o Irão enriqueça uranio", adiantou Netanyahu, defendendo que as "sanções foram levantadas em troca de concessões cosméticas por parte do Irão".

Netanyahu tinha posto exigências muito estritas a qualquer acordo com o Irão e leva a cabo uma ofensiva diplomática contra a administração de Barack Obama, acusada de querer fazer demasiadas concessões nas negociações de Genebra.

Em setembro, o primeiro-ministro israelita tinha enunciado quatro critérios que poderiam permitir assegurar que o Irão tinha travado o seu programa nuclear: a interrupção total da produção de urânio enriquecido, a transferência para o estrangeiro do urânio já enriquecido no Irão, o encerramento da central subterrânea de Fordo e a paragem da produção de plutónio.

Os media israelitas sublinham que o acordo concluído em Genebra não inclui nenhum destes critérios.

Israel, considerada a única potência nuclear da região, um estatuto sobre o qual se mantém ambígua, apresenta o programa nuclear iraniano como uma ameaça para a sua existência, citando as repetidas declarações dos dirigentes da República Islâmica a desejar o seu desaparecimento.

As grandes potências mundiais chegaram esta noite a acordo com o Irão, que se comprometeu a não enriquecer urânio acima de 5% durante seis meses em troca do alívio de sanções, informou a Casa Branca.

O acordo entre o Irão e as seis potências mundiais (os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha), concluído hoje em Genebra, prevê que o Irão também desmantele "os conectores técnicos" que permitem o enriquecimento acima de 5%.

Com este compromisso, as potências garantem o alívio das sanções contra o Irão, avaliadas em sete mil milhões de dólares, durante seis meses, mas se o país não cumprir por completo o acordo as sanções voltarão a entrar em vigor.

No âmbito do acordo alcançado, o Governo iraniano comprometeu-se a parar o enriquecimento de urânio até 20% e só poderá fazê-lo abaixo de 5%, apenas o suficiente para ser utilizado em atividades civis, a não expandir as centrais nucleares de Fordo e Natanz e a parar a construção da central de Arak, onde se poderia produzir plutónio.

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