Nacionalistas muçulmano, sérvio e croata eleitos para presidência bósnia

Os candidatos apoiados pelas principais formações nacionalistas de muçulmanos, sérvios e croatas, venceram a presidência colegial tripartida da Bósnia-Herzegovina na sequência das eleições de domingo, referiu fonte oficial.

O candidato do partido nacionalista muçulmano (Partido de Ação Democrática, SDA), Bakir Izetbegovic, foi eleito para a presidência rotativa bósnia com sede em Sarajevo, a par do líder croata Dragan Covic, apoiado pelos nacionalistas da União Democrática Croata bósnia (HDZ BIH), segundo os resultados correspondentes a 90% dos boletins de voto.

Na entidade sérvia, num confronto muito disputado e que ainda pode conhecer alterações, Mladen Ivanic, candidato da coligação liderada pelos nacionalistas do Partido Democrático Sérvio (SDS) surgia na primeira posição, seguido de perto pela candidata da Aliança de Sociais democratas independentes (SNSD), Zeljka Cvijanovic.

De acordo com a Comissão eleitoral (CIK), a taxa de participação sitiou-se nos 54,14% - 52,743% na Federação bósnia (croato-muçulmana) e 56,94% na Republica Sprska (RS), a entidade dos sérvios bósnios.

Num cenário de profundas rivalidades interétnicas que o fim da guerra civil não solucionou, a Bósnia-Herzegovina votou no domingo em eleições gerais após uma campanha marcada pelo regresso da retórica nacionalista e crescentes preocupações pela grave crise económica.

A situação política interna mantém-se praticamente inalterada desde as últimas eleições de 2010, com a retórica nacionalista a predominar nos discursos dos líderes das três principais entidades de muçulmanos (bosníacos), sérvios e croatas, legitimadas no acordo de Dayton de 1995 que pôs termo à guerra civil de três anos e meio com um rescaldo de 100.000 mortos e 2,2 milhões de refugiados e deslocados.

Os avanços no sentido de uma perspetiva de integração na União Europeia (UE) foram nulos, com o discurso nacionalista a ser utilizado como principal argumento da campanha e perante a ausência de soluções para os graves problemas económicos e sociais do país.

Perto de 3,3 milhões de eleitores foram convocados para eleger os três membros da presidência colegial do país, renovar o parlamento central, os parlamentos das duas entidades (Republika Srpska [RS] e Federação bósnia, dividida entre muçulmanos e croatas) e ainda os representantes dos dez cantões que compõem a entidade croato-muçulmana.

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