Merkel só admite reestruturação da dívida grega depois da primeira avaliação do resgate

Chanceler falou à imprensa alemã e garantiu que, para já, não haverá alívio da dívida grega. Sobre Schäuble, diz apenas que o ministro das Finanças não pediu para sair.

A chanceler Angela Merkel disse este domingo, em entrevista à estação pública alemã ARD, que será possível falar sobre uma reestruturação da dívida grega mas só depois da primeira avaliação bem sucedida do programa de ajustamento. "A Grécia já teve alívio da dívida. Tivemos um perdão voluntário dos credores privados, estendemos os prazos das maturidades e já reduzimos as taxas de juro", lembrou Merkel. "E podemos falar sobre essas hipóteses novamente, desde que seja concluída com sucesso a primeira avaliação do programa de ajustamento financeiro que será negociado", afirmou a chanceler, frisando que a questão será discutida nessa altura, mas "não agora".

Merkel recordou que que um perdão da dívida está fora de questão enquanto a Grécia permanecer na zona euro. "Pode acontecer fora de uma zona de moeda única, mas não pode acontecer numa união monetária", sublinhou. A chanceler admitiu ainda que a sugestão do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, de saída temporária da Grécia da zona euro, tinha sido considerada, mas que a zona euro virara as costas à ideia. "A única opção é fazer um caminho comum com a Grécia ou ir por uma situação caótica, porque não haveria uma decisão partilhada entre os ministros das finanças ou os líderes. A opção esteve em cima da mesa, mas escolhemos outra hipótese", disse Merkel.

Os bancos gregos abrem esta segunda-feira, depois de três semanas encerrados, mas os levantamentos estão limitados: o controlo de capital mantém-se em vigor. "Não é uma vida normal, por isso teremos de negociar rapidamente", destacou Merkel.

A chanceler acrescentou também que não iria especular a propósito de um plano B para a Grécia dois dias após os deputados alemães terem aprovado no parlamento o terceiro programa de resgate para Atenas, tendo dito que Berlim tudo fará para que as negociações sejam concluídas com sucesso, mas será insistente com Atenas para que cumpra com o que prometeu. "Não será fácil, porque há coisas que temos discutido com todos os governos gregos desde 2010 que nunca foram feitas mas que foram realizadas noutros países como Portugal e a Irlanda", exemplificou.

Confrontada com a especulação sobre uma eventual demissão de Schäuble devido às diferenças de opinião entre os dois a propósito da Grécia, Merkel garantiu que o ministro das Finanças alemão irá, tal como ela, conduzir as negociações com Atenas, e que podia apenas dizer que ninguém lhe pedira para sair.

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